Os estudantes do Campus Campo Mourão da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) ontem e hoje as aulas foram substituídas por mobilização por mais atenção ao Ensino Superior. Na pauta de reivindicações, o reajuste salarial e o aumento dos investimentos na educação de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10%. Os servidores técnico-administrativos do Campus também optaram pela paralização, porém seu calendário de lutas começa hoje e vai até a sexta-feira.
O professor Emílio Gonzalez, presidente da sessão sindical de Campo Mourão, explicou que a decisão de paralisar as atividades foi tomada em assembleia docente realizada na última segunda-feira. Hoje [ontem], nós já fizemos uma conversa com os alunos explicando que estar sem aula não significa estar de folga. Serão dois dias de mobilização, diz.
Segundo ele, a paralisação em Campo Mourão segue a decisão tomada em várias Universidades Federais. A Universidade Federal do Paraná já foi direto para a greve, nem esperaram pelos dois dias de paralisação, comenta. A orientação vem do Sindicato Nacional dos docentes no Ensino Superior. Eles têm se reunido nos vários Estados da Federação e muitos deles estão optando pela greve. A UTFPR é multicampi então a paralisação não é de todos, mas Campo Mourão decidiu fazer essa paralisação para tentar alguma mudança.
O professor explicou que há urgência em conseguir força para o movimento porque o dia 31 de agosto é o prazo limite para que sejam enviadas emendas para o orçamento do ano de 2012. A proposta que o governo já encaminhou está muito abaixo do que é necessário para o funcionamento da universidade, ressalta. Depois dessa data limite, segundo ele, qualquer mudança é mais complicada.
Hoje os alunos deverão receber uma Carta Aberta contendo todos os pontos que precisam ser revistos. Para ele o salário, apesar de não ser a mais importante, é uma das questões que precisa ser discutida. O salário dos servidores não tem sido reajustado como o salário mínimo, que acompanha a inflação. Constitucionalmente deveria ser assim, mas não é o que acontece. Com isso estamos há três ou quatro anos com o mesmo salário. Isso representou uma perda de 40% e não vemos nenhuma conversa em reposição salarial, coloca.
Outro ponto importante que ele coloca se refere a uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff. Durante a campanha, disseram que aumentariam o investimento em educação para 10% do PIB, diz. Hoje este valor está em 5,1% e para o próximo ano não há expectativa de aumento. Não temos perspectiva que o PIB cresce consideravelmente então em 2012 trabalharemos com o mesmo investimento. Específico para o Campus de Campo Mourão isso seria desastroso.
Gonzalez lembrou que os problemas podem ser graves porque no município foram criados novos cursos e há a implantação de mais laboratórios. Muito mais despesas com o mesmo recurso. Com isso já começam rumores pela universidade de que vai faltar dinheiro para comprar papel para impressão, que, por exemplo, não será possível comprar reagentes para os laboratórios. A gente vive com esse terror e isso compromete a qualidade do ensino, finaliza. Para hoje, várias atividades de conscientização estão programadas.