Aftosa: meta é imunizar 100% do rebanho

Na próxima segunda-feira acontece o lançamento oficial da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Com a confirmação de um foco de aftosa no Paraguai, a importância da vacinação é ainda maior este ano. A doença tem grande importância para o setor agropecuário, sendo considerada uma das maiores preocupações tanto dos governos como de pecuaristas devido aos prejuízos econômicos causados pela interferência na produção e produtividade do rebanho afetado, pelos investimentos e gastos para a execução de programas de saúde animal e pelo embargo e restrições na importação e exportação do comércio nacional e internacional.

Empenhados em garantir a sanidade, o Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA), está alertando os produtores sobre a necessidade de proteger o rebanho. Assim como nos anos anteriores, a meta é que 100% das propriedades sejam imunizadas. Na última etapa, que era direcionada para animais com até dois anos de idade, 98% do rebanho teve a confirmação da vacinação. Não que estes 2% não tenham vacinado, é que mudaram de endereço ou não foram encontrados pelos técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento [Seab], explicou a presidente do CSA de Campo Mourão, Jaciani Beal Klank. Não é possível estimar o rebanho da região porque essa etapa da campanha abrange todos os animais.

Na primeira etapa de vacinação, realizada no início do ano, muitas pessoas tiveram dúvidas com as notícias veiculadas no Estado de que o governo procurava o status de área livre sem vacinação. A meta é que apenas em 2014 seja definitiva a extinção da vacinação.

Jaciani destacou o esforço de todos os agentes governamentais, como conselho e produtores para manter o status de área livre da doença Vai melhorar muito a questão da comercialização. Desde o último foco, a gente está amargando o prejuízo até hoje. Esse foco que deu da aftosa no Paraguai já refletiu até no frango que deu uma segurada nas vendas, lembra ela ao explicar que mesmo não sendo diretamente ligado, os mercados acabam tendo receio.

Agora é a hora de provar nessa reta final que somos comprometidos. No ano que vem ainda vai ter vacinação. O que temos de mostrar é que somos comprometidos com a sanidade do rebanho.

Segundo ela, a melhor forma é comprovando a vacinação. É preciso ser honesto, isso é uma melhoria para o mercado agrícola como um todo. Mostra que o estado está cumprindo sua obrigação perante o mundo com respeito à sanidade, ressalta. Para este ano não há riscos de faltar vacina durante a campanha e os preços não tiveram grandes alterações. A vacina é obrigatória, e os produtores que deixarem de imunizar seus rebanhos estão sujeitos a penalidades impostas pela Seab, entre elas, multa por cabeça de animal não vacinado.

Parceria

Jaciani lembrou que a iniciativa do Núcleo Regional da Seab, o CSA e a prefeitura para atender pequenos produtores no entorno da cidade conseguiu um índice de vacinação próximo de 98%. O CSA atua a tempos fazendo uma parceria na qual a Seab disponibiliza a vacina, o CSA paga combustível e alimentação dos técnicos que fazem a vacinação e a prefeitura disponibiliza os agentes de vacinação e o médico veterinário. Desse trabalho feito com a prefeitura a gente aumentou bastante a área de abrangência dos rebanhos que circulam o munícipio.

O foco

No início do mês de outubro de 2011 a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou foco de Febre Aftosa em 13 animais com menos de 24 meses, na fazenda Santa Helena, na província de San Pedro, Paraguai, que não faz fronteira com o Brasil. Mesmo assim, a notícia assustou a todos, já que o Paraguai faz divisa com dois estados brasileiros; Mato Grosso do Sul e Paraná. A última vez em que foram registrados casos de aftosa no Paraguai foi em julho de 2003 e no Brasil em 2005.

O Paraguai parou as exportações e a expectativa é de que o produto local deixe de ser embarcado por 60 dias. Com o novo foco, o País vizinho perde seus status sanitários de livre de aftosa com vacinação. O prejuízo estimado é de US$ 300 milhões, segundo a Câmara Paraguaia da Carne.

Como muitos pecuaristas da região tem rebanhos e propriedades próximas à fronteira, existe o trânsito de animais. Nossa principal preocupação é fazer com que esses pecuaristas saibam da importância de vacinar. O controle tem sido feito de uma maneira bastante rígida, tanto do lado paraguaio como brasileiro, até por isso, nosso procedimento de vacinação é o mesmo, finaliza.

Prejuízos econômicos

A Febre Aftosa é uma doença viral, altamente contagiosa que afeta gado bovino, búfalos, caprinos, ovinos e outros animais de casco fendido. A aftosa exige medidas preventivas para que não se alastre e sua notificação é obrigatória. A doença interfere na diminuição da produção de leite de 30 a 40% e de carne também, em torno de 20 a 30%. A economia é afetada amargando sérios prejuízos, incluindo a morte de animais.

A produtividade da fazenda é diretamente afetada refletindo no desenvolvimento e do rebanho. A aftosa debilita os animais, causa abortos pré-dispondo o rebanho a adquirir outras doenças como mamites, por exemplo. A produção da fazenda fica prejudicada já que os animais afetados são descartados, além de outras consequências, como a desvalorização dos animais oriundos da fazenda contaminada, a interdição da propriedade que fica impedida de comercializar seus produtos, aumento da mão de obra, perda de tempo e de dinheiro para tratar lesões secundárias. (Com informações do Fundepec-PR)