Durante 10 semanas, cerca de 960 alunos de 9 a 10 anos da rede municipal e algumas escolas particulares estiveram realizando atividades semanais sobre o cerrado mourãoense. A atividade integrou o 6º desafio da Agenda 21 local de Campo Mourão, que terá seu encerramento amanhã, em parceria com a secretaria de educação do município.
Segundo os organizadores, durante o período do desafio, alunos e professores puderam refletir sobre a importância de preservação dos últimos fragmentos remanescentes da cobertura original do município, com destaque para o Cerrado. A coordenadora da Agenda 21, Lydia Mizzoti, explicou que a atividade é realizada todos os anos com excelentes resultados e avaliação positiva dos participantes. Já tivemos vários temas, entre eles os rios do município e a questão da água que gera energia, diz.
O trabalho é forte na questão da interdisciplinaridade e antes do início do desafio, todos os professores recebem um treinamento sobre o conteúdo específico daquele ano. Então toda semana ele trabalha um desafio integrando com os conteúdos normais previstos na grade curricular. Quando fala em vegetação, trabalha o aspecto histórico que antes toda a região era coberta por vegetação e depois comentamos os tipos de floresta antes de falar sobre o processo de ocupação do solo, comenta a coordenadora.
Segundo ela, o objetivo desse ano foi mostrar que o pouco menos de 6% da cobertura original que ainda está presente no município merece ser preservada. O cerrado que está quase desaparecendo já movimentou a economia local, relata Lydia ao lembrar que o primeiro atrativo do cerrado foi para os pecuaristas. Na sequência, o município passou a ser considerado um polo madeireiro com a venda das madeiras de lei. No final década de 60, não havia mais árvore para ser derrubada e vendida, isso afetou fortemente a economia local. Sem madeira e com agricultura não produtiva muita gente acabou indo embora. Tudo isso foi trabalhado com os alunos.
Os estudantes e professores visitaram o herbário da copel, a estação ecológica e o lote 7H (box). O desafio final proposto pela Agenda 21 será a apresentação de fotografias que mostrem a vegetação original remanescente no bairro dos estudantes. Esse material a agenda pode explorar depois. Pode ser que essas famílias tenham no seu quintal espécies interessantes e ninguém saiba disso, acrescenta.
Outra conquista do desafio foi a união de entidades e universidades. Nós conseguimos um trabalho conjunto entre a Fecilcam e a UTFPR. Isso foi muito bacana, essa troca de conhecimentos. No evento de encerramento, realizado com professores e diretores das escolas participantes será feito uma avaliação sobre o desafio e será premiado o professor destaque do desafio. Além disso, uma das escolas irá ser premiada e ainda serão sorteadas uma bicicleta e um kit para os alunos.
O desafio teve participação ainda da Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Fecilcam, Copel, Sanepar e Instituto Ambiental do Paraná.
Lote 7H
O lote 7H é um dos remanescentes do cerrado de Campo Mourão. A vegetação do terreno, pertencente a terceiros, já foi declarada como de preservação permanente com base na lei de 2003 e de acordo com um decreto municipal de 2007, que o declarou como utilidade pública para fins de desapropriação e transformação em unidade de conservação.
Em 2012 vence o decreto e caso o processo não esteja concluído, perde a validade. O principal entrave apontado pelos representantes da prefeitura ainda é negociação com o proprietário do terreno. Em um evento realizado no dia do cerrado, foram coletadas mais de 1.800 assinaturas para anexar ao processo de desapropriação. Fomos procurados essa semana pela procuradoria da prefeitura para entrar em contato com o dono do lote para negociar, diz Lydia. Segundo ela, será feita uma avaliação do valor do lote e com isso será feita uma proposta. Se ele não aceitar, o município pode depositar em juízo e o juiz decide se o valor é justo ou não.