CM terá fórum sobre programa ABC

Na próxima quarta-feira, Campo Mourão será sede do primeiro Fórum Regional do Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono – promovido pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A expectativa dos organizadores é que participem de 30 a 50 engenheiros e responsáveis pela área técnica em cada cidade sede do evento. O programa que fornece financiamento para atividades que colaborem para a recuperação de áreas degradadas e diminuição da emissão de gases causadores do efeito estufa vem tendo pouca procura e um dos motivos é a falta de conhecimento.

Desde o Acordo de Copenhague, firmado em 2009, o Brasil tenta reduzir suas emissões de Carbono. Dentro dessa ideia, o governo federal lançou há pouco mais de um ano, o programa de Agricultura de Baixo Carbono, mais conhecido como Programa ABC. Apesar do programa ser recente, essa já é uma reivindicação antiga dos setores ligados às cooperativas.

O analista da Ocepar, Robson Mafioletti, explicou que os financiamentos do governo para o programa são um pouco diferentes daqueles feitos para custeio da safra. São financiamentos de investimento, sempre a médio e longo prazo e servem para projetos de florestas, integração lavoura-pecuária, recuperação de pastos degradados entre outros.

Este ano foram disponibilizados R$ 3,15 bilhões com taxas de juro de 5,5% para investimentos em projetos voltados à agricultura de baixo carbono. Como são projetos mais complexos, eles demandam conhecimentos específicos dos técnicos e agentes de crédito. O dinheiro está ali disponível, em conversa com os produtores a gente percebe que existe a demanda, mas não há procura pelo programa. Isso mostra que alguma parte dessa cadeia não está muito integrada, comenta ele ao explicar que sanar esse problema é o foco dos oito encontros regionais realizados no Paraná.

Arenito Caiuá

Cerca de 107 municípios do Estado estão na área do Arenito Caiuá, somando aproximadamente 3,2 milhões de hectares. Destes, em torno de 1,6 milhões estão ocupados com pastagens que apresentam baixa qualidade e produtividade. Mafioletti ressaltou que algumas dessas áreas estão na região de Campo Mourão. A preocupação com a região do Arenito é grande. A área que vai de Farol a Cianorte é marcada por essa pecuária ostensiva e baixa produtividade, diz.

Discussão

O analista acredita que com mais profissionais e entidades discutindo e trabalhando essa questão os projetos não vão demorar a aparecer. Temos o problema mapeado e acho que agora isso vai fazer com que o programa ande. Nesse primeiro momento vamos habilitar a equipe técnica para que eles orientem os produtores, completa.

Serviço

O evento é promovido ainda pelo Banco do Brasil, Federação dos Engenheiros Agrônomos e da Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário. As inscrições podem ser feitas até segunda-feira, sem qualquer custo pelo e-mail: [email protected]. O encontro acontece na quarta-feira, a partir das 13h30 no anfiteatro da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM).

Propostas do Programa ABC

Para difundir uma nova agricultura sustentável, que reduza o aquecimento global e a liberação de carbono na atmosfera, o Programa ABC incentiva seis iniciativas básicas com metas e resultados previstos até 2020.

– Plantio direto na palha

A técnica dispensa o revolvimento do solo e evita a erosão com a semeadura direta na palha da cultura anterior. A técnica protege o solo, reduz o uso de água, aumenta a produtividade da lavoura e diminui despesas com maquinário e combustível. O objetivo é ampliar os atuais 25 milhões de hectares para 33 milhões de hectares. Esse acréscimo permitira a redução da emissão de 16 a 20 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. 

– Recuperação de pastos degradados

O objetivo é transformar as terras desgastadas em áreas produtivas para a produção de alimentos, fibras, carne e florestas. A previsão é recuperar 15 milhões de hectares e reduzir entre 83 e 104 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.

– Integração lavoura-pecuária-floresta

O sistema busca alternar pastagem com agricultura e floresta em uma mesma área. Isso recupera o solo, incrementa a renda e gera empregos. A meta é aumentar a utilização do sistema em 4 milhões de hectares e evitar que entre 18 e 22 milhões de toneladas de CO2 equivalentes sejam liberadas.

– Plantio de florestas comerciais

O plantio de eucalipto e de pinus proporciona uma renda futura para o produtor e reduz o carbono do ar através do oxigênio liberado pelas árvores. O foco é aumentar a área de seis milhões de hectares para nove milhões de hectares.

– Fixação biológica de nitrogênio

A técnica visa desenvolver microorganismos/bactérias para captar o nitrogênio existente no ar e transformá-lo em matéria orgânica para as culturas, o que permite a redução do custo de produção e melhora a fertilidade do solo. O ABC pretende incrementar o método na produção de 5,5 milhões de hectares e reduzir a emissão de 10 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. 

– Tratamento de resíduos animais

A iniciativa aproveita os dejetos de suínos e de outros animais para a produção de energia (gás) e de composto orgânico. Outro benefício é a possibilidade de certificados de redução de emissão de gases, emitidos por mercados compradores. O objetivo é tratar 4,4 milhões de metros cúbicos de resíduos da suinocultura e outras atividades, deixando de lançar 6,9 milhões de toneladas de CO2 equivalentes na atmosfera.