Exames de DNA do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, confirmaram que as ossadas encontradas na fossa do Colégio Estadual Vinícius de Moraes, em agosto do ano passado, são mesmo das jovens Dimitria Laura Vieira Gênero, 16 e Iara Pacheco de Oliveira, 20. O caso ficou conhecido nacionalmente como Ivan o Terrível. A confirmação permitirá que o assassino vá a julgamento. O autor do crime, o próprio zelador do colégio, Raimundo Gregório da Silva, 52, mais conhecido como Ivan, confessou na época, à polícia, ter matado e queimado os corpos das vítimas. Ele está detido na 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão. No entanto, seu julgamento ainda não ocorreu porque o DNA dos ossos encontrados não havia sido confirmado.
De acordo com o delegado chefe da 16ª SDP, José Aparecido Jacovós, o laudo estava pronto há 10 dias, mas chegou somente ontem à delegacia local. Nós já tínhamos certeza que se tratava das duas meninas desaparecidas até porque tínhamos a confissão de Raimundo. Encontramos as roupas das vítimas escondidas no forro do colégio e documentos delas na casa dele, frisa. Jacovós comenta que agora, com a confirmação do laudo, será possível a família enterrar os ossos e ter a certidão de óbito, que até então não havia como fazer. Agora temos certeza que este maníaco será condenado pelo Tribunal do Júri. A pena de Ivan pode chegar até 60 anos de prisão. Ele deverá responder por duplo homicídio qualificado. As ossadas deverão ser entregues ao IML local e, posteriormente, às famílias em até uma semana para o sepultamento. O delegado acredita que no máximo até o fim de janeiro do próximo ano, Ivan seja julgado. As ossadas de cada uma das vítimas serão identificadas através de um exame biométrico. Existia também a hipótese de um terceiro corpo, mas os exames detectaram apenas o das duas estudantes.
Conforme o Instituto de Criminalística, a demora para conclusão dos exames ocorreu porque estava muito difícil confirmar o DNA das ossadas. O material precisou passar por várias análises. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), foram feitas 16 tentativas para chegar ao resultado final e gastos R$ 13 mil nos testes de DNA. Ao todo foram dez meses de trabalho.
De acordo com o responsável pelo setor de DNA do Instituto de Criminalística, Hemerson Bertassoni Alves, os ossos das meninas foram encaminhados para análise em outubro do ano passado, mas por falta de recursos para compra de reagentes, os exames tiveram início só em dezembro. O DNA presente nos ossos das vítimas estava degradado, porque foi submetido ao calor e à umidade, quando o material foi incinerado e enterrado. Foram utilizadas quatro técnicas diferentes de extração, todas validadas por protocolos internacionais. Esgotamos o material ósseo para a obtenção dos perfis genéticos, explica.
Relembre o caso
Dimitria desapareceu em julho de 2008, já Iara, desde janeiro de 2010. As ossadas foram encontradas no dia 13 de agosto do ano passado dentro de uma fossa, nos fundos do colégio, no Cohapar, região do Lar Paraná. Raimundo trabalhava e morava no mesmo local onde as jovens estudavam. Ele tinha namorado uma tia de Dimitria. O que chamou a atenção da polícia foi o suspeito ter se aproximado da família dela, depois dos desaparecimentos.
Segundo a polícia, o zelador passava recado sobre a situação das meninas. Dizia que recebia mensagens de Dimitria pelo celular e que ela estava morando na Espanha. Diante dos indícios, a polícia conseguiu um mandado de busca e apreensão na casa dele. No local, foram encontrados vários filmes e revistas pornográficas e um celular em que tinha arquivada uma das mensagens que Dimitria supostamente teria enviado à família. Ao perceber uma fossa aterrada no quintal da casa do zelador, dentro da escola, a polícia também pediu que a terra fosse retirada do local. Durante o processo, foram encontrados ossos de dois corpos, que haviam sido incinerados. Também foram achados os pertences das meninas no forro do prédio da escola.
O zelador informou ter atraído as duas vítimas até sua casa. Após matá-las a golpes de marreta, ele as enterrou na horta da escola e, depois de um mês, as desenterrou, incinerou os ossos, e os jogou na fossa.
O acusado foi preso ainda na noite do dia 13, em Sarandi, região metropolitana de Maringá, quando chegava à residência de um dos filhos para pegar uma marmita. O zelador estava escondido em um matagal desde o início da manhã de sexta, quando policiais civis foram até a sua residência, nos fundos do colégio e encontraram roupas, celular e objetos das adolescentes.
Ivan, o Terrível
Ainda ontem, a TRIBUNA teve acesso ao impiedoso assassino das duas jovens. Ao contrário dos criminosos do tipo 171 – aqueles que tentam driblar as investigações – Ivan confessou novamente os dois crimes. Nem precisava fazer os exames. Eu mesmo já havia confirmado as duas mortes, disse. Frio, ele disse que sente remorso diante dos fatos e, que um dia, espera que as famílias o perdoem. Deus perdoa todo mundo. Porque não me perdoaria também, questionou. Sobre a morte de Dmitria, Ivan disse que a matou para se defender. Explicou que, após consumir drogas, ela teria ficado sem controle, nervosa e extremamente violenta. Matei ela por isso, disse. Ainda hoje, Ivan terá a primeira audiência no Fórum.