Tecnologia para todos os sentidos

Driblar as dificuldades, essa é a ideia de programas e tecnologias desenvolvidas para auxiliar a vida de pessoas com alguma deficiência. No caso dos deficientes visuais, por exemplo, existem vários programas que ajudam a ‘ler’ o que não se vê como é o caso dos leitores e ampliadores de tela. O tema que envolve mais do que apenas inovação, mas também cidadania, foi trazido a estudantes e a comunidade em uma palestra realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Campus Campo Mourão) esta semana.

A inclusão começa na infância, explicou o consultor em acessibilidade Clóvis Alberto Pereira, responsável pelo encontro. Ele relatou que hoje já existem brinquedos adaptados que permitem que a criança tenha acesso ao brincar como qualquer outra da mesma idade.

No caso dos cegos, com o passar dos anos, chega a adaptação ao uso das bengalas e logo o acesso às tecnologias. Quando ela chega à escola, é preciso que tenha os recursos mais modernos para fazer o mesmo que os alunos que enxergam fazem. A pessoa cega de qualquer idade consegue mandar um e-mail, ter acesso ao acess, excel, fazer planilhas, enfim, usar o computador como os demais, completa.

Em 1991, a lei de cotas entrou em vigor no Brasil e desde então, as empresas são obrigadas por lei a manter em seu quadro de funcionários – em empresas acima de 100 pessoas – de 2 a 5% de deficientes. Não adianta a gente pensar em inclusão e acessibilidade usando recursos que não coloquem a pessoa com deficiência em uma situação de competitividade.

Segundo ele, a questão da inclusão é muito ampla e não depende apenas do tecnológico. O que garante a acessibilidade é usar a tecnologia mais adequada, mais completa e o comprometimento humano. Não adianta a excelência dos equipamentos se eu não tiver pessoas aptas a receber os deficientes. Tecnologia depende do ser humano, completa.

Simon

Durante toda a palestra e a conversa com a TRIBUNA, Pereira era acompanhado bem de perto por Simon. Para o palestrante, o cão guia retrata bem a velha máxima do cão ser o melhor amigo do homem. Não é só tecnologia, é preciso fatores vivos e o Simon é a minha bengala, ele é indispensável, comenta.

Segundo ele, os dois passam mais de 70% do tempo fora de São Paulo. Ele sempre viaja comigo, penso até em cadastrar ele no programa de milhas, brinca Pereira. O cão treinado nos Estados Unidos já está há cinco anos com ele e todas as ordens são dadas em inglês. Ele passou por uma das melhores escolas lá. Já temos alguns projetos de treinamento de cão guia no Brasil, mas ainda é recente e esporádico. É algo que precisa melhorar muito, diz lembrando que em todo o país existem pouco mais de 100 animais registrados como cão guia.

Apesar de ser garantido por lei a permanência dos animais junto aos donos, ele conta que ainda são raros os locais em que o cão guia é permitido. Já tive até de pagar passagem para ele, o que é proibido. São poucos os locais como o Tonello que me aceitam e tratam tão bem, relata.

Laramara

Pereira pertence a uma associação chamada Laramara, que é formada por pessoas com deficiência visual. Um dos nossos grandes trabalhos é replicar tudo aquilo que nós vivemos durante os 20 anos de atividade. Dentro dessa ideia, posso dizer que o evento foi fantástico, os alunos perguntaram muito sobre o dia a dia e o caminho para um futuro mais tranquilo para as pessoas com deficiência passa por aqui. As conquistas e os equipamentos para facilitar a vida dos deficientes são discutidos diariamente no site que o palestrante mantém: www.betopereira .com.br