Pelo menos dois municípios da Comcam correm risco de epidemia de dengue este ano. A informação consta no levantamento do índice de infestação do Aedes aegypti no Paraná (Liraa), realizado em 59 cidades. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde. O risco é apontado como alto em quatro municípios e médio em 35. Da região, Goioerê e Mamborê fazem parte da lista. Correm risco médio de epidemia.
O forte calor e as chuvas constantes nesta época do ano são dois agravantes para a proliferação do mosquito. O momento é de alerta. A reportagem entrou em contato com a secretaria de Saúde de Mamborê. De acordo com o coordenador da Vigilância em Saúde, Celso Fortes Bittencourt, o índice de infestação do mosquito no município é de 3%. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de até 1%. Ou seja, a situação é considerada grave.
A coordenadora de endemias do município, Sidnéia Zancanaro revela que foram registradas em Mamborê 35 notificações. Dois casos foram confirmados. Segundo informações, o município vem realizando várias ações no combate à dengue, tanto em caráter educativo como preventivo. Sidnéia comenta que diariamente, uma equipe composta por seis agentes de endemias, realiza visitas às residências no município para identificar focos do mosquito. Sem dúvida nenhuma é fundamental a parceria da população nessa cruzada contra o mosquito, lembra, acrescentando também a ajuda da promotoria pública na causa.
Já em Goioerê, segundo informações, existem no município 80 casos de notificações, oito foram confirmados. O índice de infestação de larvas na cidade chega a 1,5%. Conforme a coordenadora de endemias, Micaela da Silva, o município tem intensificado os trabalhos de orientação e conscientização junto à população. Estamos visitando as escolas municipais e conversando com os alunos. A ideia é que eles compartilham as informações em casa, diz.
Goioerê trabalha atualmente com 12 agentes de endemias. Eles visitam diariamente as residências do município em busca de criadouros do mosquito. Micaela explica que os trabalhos são contínuos. Segundo ela, os agentes priorizam localidades com índices mais altos de infestação de larvas para realizar os trabalhos. A população também pode e deve fazer sua parte, pede.
O Lira
O levantamento do índice de infestação predial é realizado pelos agentes de controle de endemias seguindo a metodologia do Programa Nacional de Controle da Dengue. Os agentes visitam os imóveis (de acordo com uma distribuição feita por amostragem) à procura de larvas do mosquito da dengue e atribuem o índice conforme o número de criadouros em cada grupo de cem. Por exemplo: um índice de 2% indica que a cada 100 imóveis, em dois foram encontrados criadouros com larvas do mosquito Aedes aegypti.
Os maiores problemas são o acúmulo de materiais que retêm água, a falta de aterros sanitários e a separação e destino adequado dos materiais recicláveis. Os representantes das regionais de saúde apontaram a necessidade de parceria entre órgãos da área do meio ambiente e Ministério Público para enfrentar a situação, que envolve aspectos ambientais e de saúde pública.
119 casos no PR
O quarto informe técnico deste novo período da dengue (de agosto a novembro) relata 119 casos confirmados da doença no Paraná, dos quais 101 autóctones (em que a contaminação ocorreu no município) e 18 importados. A sala de situação da dengue passou a considerar o ano epidemiológico da doença que vai da 31ª semana de 2011 (agosto) à 30ª semana de 2012 (julho) porque leva em conta a curva epidêmica da doença e não o ano cronológico. Também foi divulgada a confirmação de uma morte por dengue na cidade de Cornélio Procópio, em abril deste ano.
CM mantém controle sobre a dengue
A volta da dengue já é uma preocupação também da secretaria de Saúde de Campo Mourão. Contudo, o município mantém controle sobre a doença. Segundo informações, neste trimestre ainda não foi confirmado nenhum caso. Desde o início do ano foram feitas 248 notificações; 112 foram confirmadas.
Apesar de o número parecer bastante alto, o último Levantamento de Índice Rápido de Infestação (Lira) apontou uma importante queda de infestação do mosquito no município: apenas 0,9%. Porém em algumas localidades os números atingem proporções ainda bastante altas. No jardim Ipê, por exemplo, região do Lar Paraná (2,53%); Cohapar (2,56%) e Nossa Senhora Aparecida (1,75%). Ou seja, os cuidados devem permanecer.
Segundo o diretor geral da secretaria de Saúde do município, Marcio Alencar, Campo Mourão traçou estratégias contra a dengue através do plano de contingência, seguindo critérios definidos pela Regional de Saúde. Além da notificação de casos suspeitos, é feita a investigação de casos positivos, bloqueio de casos, arrastões, treinamento de agentes e profissionais da saúde, orientação da população por moto som, entre outras medidas.