Mercado segura trigo

A comercialização do trigo ainda deixa a desejar. Essa é a avaliação do presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, José Aroldo Gallassini. Segundo ele, entre os produtos recebidos pela cooperativa, o trigo é o que mais preocupou neste ano em que a Coamo completa 41 anos de fundação. O problema é que o cereal de inverno desafia a ordem de mercado que dita que o preço é proporcional à procura. O Brasil produz metade do que consome, o que deveria garantir a comercialização, mas o que acontece é uma grande dificuldade para encontrar mercado. O motivo apontado por Gallassini para isso é a preferência dos moinhos pelo trigo importado.

Temos um grande volume de produção e a dificuldade é bastante grande. O mercado está sempre sem preço ou com preços abaixo do mínimo. O governo até compra um pouco no leilão, mas o volume é pequeno, aponta. Segundo ele, as variedades plantadas resultam em farinha de boa qualidade. Temos variedades altamente produtivas e infelizmente temos uma comercialização prejudicada. Parece que os moinhos têm algumas vantagens em termos de importação, crê.

Com os preços baixos, o volume de grãos armazenados a cada safra é grande, o que desestimula o plantio. A gente se preocupa com isso. Não havendo comercialização normal – sem altos e baixos -, há um desestimulo grande de plantio para a próxima safra e já vemos que vem caindo a área plantada. O presidente da cooperativa comentou que a esperança é que os moinhos revejam suas posições e passem a comprar o trigo nacional, mesmo que parceladamente, para que não haja altos e baixos. Isso prejudica grandemente os produtores.

Mudança do padrão

Gallassini comentou que a tentativa do governo de alterar os padrões mínimos para a produção do trigo pode prejudicar o agricultor. Do jeito que o governo está querendo fazer não há condições de você classificar o trigo na entrada, na balança das empresas e das cooperativas.

O presidente explicou que a classificação nos padrões que seriam exigidos caso a alteração entre em vigor é extremamente demorada, podendo chegar a quatro ou cinco dias a espera. O caminhão não pode ficar parado esperando para ver qual é a qualidade do trigo dele. Então por isso que a gente discorda daquela classificação e o governo tem prorrogado para ver o que faz.

Ele relatou que a cooperativa não possui armazém para colocar 12 tipos de trigo diferente. A gente teria de ter em todos os lugares 12 armazéns esperando o trigo e nós não temos. Pelo contrário, nós temos sempre muita soja, muito milho e muito trigo. Então não há como separar isso.

Uma das possibilidades que explicariam a exigência é que a expectativa dos moinhos era que além da separação, pudesse ser feita a homogeneização. Eles queriam esse trigo da mesma qualidade, mas nós não temos essa condição ainda. Até porque a armazenagem é proibitiva em termos de custo e não se pode fazer a armazenagem à vontade, isso inviabilizaria o negócio como um todo.

Apesar de reconhecer o problema, ele disse que a falta de espaço para separação está sendo trabalhada. Estamos superando essa falta de armazenagem e dentro das nossas possibilidades estamos separando o máximo possível a qualidade dos trigos que entram para poder atender as necessidades dos moinhos. Mas isso é uma coisa que demora um pouco.

Audiência discutirá cadeia do trigo

Será discutida em audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural a nova política agrícola para a cadeia produtiva do trigo. A iniciativa do debate é do deputado Moacir Micheletto. Segundo ele, o produto considerado de segurança alimentar merece mais atenção e apoio. Deve ser tratado como política de Estado e não apenas de um governo e esses questionamentos serão levados ao conhecimento do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e da presidente Dilma Rousseff, afirma o Micheletto.

O deputado acrescentou que é justo buscar e defender um novo modelo de política agrícola para incentivar a produção nacional. Justamente para reduzir essa eterna dependência externa, que no passado custou ao País 1,5 bilhão de dólares com as importações de 6,3 milhão de toneladas, explicou Micheletto.

A produção brasileira de trigo é de cinco milhões de toneladas para um consumo de 10,4 milhão de toneladas. A audiência ocorrerá às 14h30. (ACP com informações da Agência Câmara)