A cada chuva acompanhada com vento em Campo Mourão a cena se repete: árvores antigas e com raízes deterioradas despencam sobre muros, casas e até em carros, causando grandes prejuízos aos moradores. São nesses momentos que surgem as reclamações quanto a demora ou mesmo os critérios utilizados pela Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente do município para o abate de algumas árvores. No temporal de segunda-feira à tarde, o agricultor Theonaldo Kloster Ribas, 53 anos, morador da área central viu parte da grade do muro de sua residência ser destruída em uma dessas quedas. Por pouco parte dos galhos não atingiu a casa dele.
Para Kloster, o prejuízo poderia ser evitado se o abate já tivesse sido providenciado. Há mais de dois anos fiz um protocolo na prefeitura pedindo a retirada de duas árvores que ameaçavam minha casa, mas nunca fui atendido. Percebi há tempos que a raiz estava comprometida e até plantei uma outra muda na calçada como me pediram. Por várias vezes ainda telefonei na prefeitura para ver como estava o meu pedido, porém não foi feito o corte e agora está aí o resultado, lamentou o agricultor.
Quando procurava informações, Kloster conta que sempre ouvia a mesma coisa: havia outros pedidos mais urgentes. Mas o meu caso também era urgente, pois a raiz da árvore estava apodrecendo. Tanto que não resistiu ao vento de segunda-feira, que nem foi tão forte assim. Agora ainda permanece a outra, que também tem pedido para ser abatida e que pode cair a qualquer novo temporal, ressalta. Além de prejuízos materiais, o agricultor preocupa-se principalmente com a segurança das pessoas. Tenho um netinho que sempre brinca no quintal. Uma árvore dessa poderia ter caído sobre uma criança ou uma pessoa adulta na rua. Até carros que ficam na rua estão em situação de risco.
A diretora da Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente, Adriane Cilião Guimarães de Almeida reconhece o problema, lembrando que há muitos protocolos na fila de espera, sendo analisados. Por outro lado, ela diz que muita gente faz o protocolo e não volta mais para saber o resultado da vistoria técnica. As pessoas acreditam que é só dar entrada com o protocolo e tudo está resolvido, mas não é bem assim. Temos um engenheiro agrônomo concursado, que após fazer vistoria do local vai decidir se o caso é de abate ou apenas de poda da árvore. Por isso a pessoa precisa vir até a secretaria ou ligar com o número do protocolo para saber o resultado, esclarece.
Essa fiscalização se faz necessária, pois muitos dos protocolos apresentam motivos considerados absurdos para a extração da árvore. Há casos de pessoas, por exemplo, que querem o abate apenas porque se incomodam com as folhas que sujam a calçada. Outros alegam que os galhos encostam na rede elétrica, mas nesse caso a Copel faz a poda. É preciso deixar claro que o abate só ocorre quando a árvore representa risco, ou quando está atrapalhando a construção de alguma obra. Mesmo assim, primeiro, a pessoa precisa plantar uma outra muda ao lado, comenta Adriane. Aprovado pela vistoria técnica, a pessoa pode aguardar que a secretaria execute o abate, ou pode requerer uma autorização para fazer o serviço por contra própria.
A Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente dispõe de quatro funcionários para essa atividade. Como nesse período do ano há uma freqüência maior de temporais e de quedas de galhos e árvores pelas ruas, o serviço da equipe dobra. Isso faz com que o serviço programado fique mais atrasado, pois nossos funcionários precisam priorizar esses casos de emergência.
Mulher espera corte de árvore há 9 anos
Há nove anos, a dona de casa Maria Fátima dos Santos, 57 anos, não se conforma com a presença de uma ‘vizinha’ bastante desagradável. Trata-se de uma árvore que com o passar do tempo foi destruindo sua calçada, abrindo o muro e hoje já ameaça até a estrutura da residência da moradora. Fátima conta que já protocolou pedido para o abate duas vezes na prefeitura, mas até hoje não foi feita nem mesmo a vistoria.
Eram duas árvores que atrapalhavam. Há nove anos solicitei que cortassem, mas apenas uma foi retirada. Três anos depois protocolei novo pedido e até hoje não tive resposta. Enquanto isso, a raiz dessa árvore segue destruindo minha calçada e o muro. Até a casa está começando a rachar, desabafa ela. Os estragos causados pela planta afetam até a saúde da dona de casa. É que como a raiz fez o muro ceder, o portão já não fecha direito.
Hoje para fechar o portão, Fátima precisa empregar muita força física. Já estou com problema na coluna de tanta força que faço. Ela até já plantou outras duas árvores para substituir aquela que tanto a perturba, mas o drama continua. Fátima gostaria de ver a planta arrancada até o final do ano, pois em janeiro ela diz que vai receber a visita de um parente de São Paulo, que é pedreiro. Ele disse que se tirarem a árvore ele refaz o muro da minha casa sem cobrar nada. Se ficar para depois não terei dinheiro para pagar outro pedreiro, lamenta. Maria de Fátima mora na rua Curiango, número 898, esquina com a rua do Cisne.