Preço do etanol sobe quase 20%

O preço do Álcool Combustível voltou a subir em Campo Mourão, ontem ele passou de R$ 1,68 em média para R$ 1,98 na maioria dos postos da cidade. O aumento, segundo os proprietários de postos de combustível, foi impulsionado por uma nova alta nas distribuidoras. Quem não tem a opção de mudar de combustível lamenta a nova elevação.

Quando chegou ao posto, o agricultor Luiz Baida, teve uma surpresa desagradável, um novo aumento. Já estava caro antes, agora então. Como precisa do veículo para trabalhar, ele conta que só resta lamentar e esperar o preço cair. Meu carro não é flex e ficar parado não dá né? Mas isso é um absurdo. Com tanta cana no brasil, tantas plantações na região e a gente pagando tudo isso, reclama.

Insatisfação também com o motorista que preferiu não se identificar. Ele acredita que a nova alta é um absurdo, incoerente com a realidade regional. O preço está mais alto do que em Maringá. Se a pessoa quiser andar 10 quilômetros, em Peabiru, o preço compensa. Não tem explicação para isso, diz.

A resposta para as broncas dos dois consumidores foi dada pelo proprietário de um posto de combustíveis que não quis ser identificado. O preço alto é consequência de vários fatores, como a quebra da safra e seca mais longa do que o esperado. Segundo ele, houve aumento de cinco centavos no litro do álcool, vendido pelas distribuidoras. Não tivemos mais como segurar o aumento. Essa não é a primeira vez que o preço é reajustado para nós, mas até para não perder clientes, seguramos o mesmo valor.

Ele explicou que mesmo com o aumento, o preço do etanol em Campo Mourão é bom. O normal seria entre R$ 2,09 e R$ 2,19, devido à escassez do produto, completa. A expectativa é que o preço suba ainda mais e se aproxime desses valores, acima da casa dos R$ 2. Quando as distribuidoras veem que nós ajustamos o preço, eles sobem mais um pouco. É uma bola de neve, desabafa.

Apesar das previsões mais pessimistas que diziam que faltaria etanol no Brasil, o empresário afasta esse medo. Houve queda considerável na procura pelo álcool. Se isso se mantiver, não há risco de faltar etanol. A mudança na preferência dos motoristas do álcool para a gasolina, de acordo com ele, é reflexo do constante ‘vai e vem’ do álcool. Ele explica que há mais de um ano vem sentindo que os consumidores utilizam a gasolina em épocas de alta do etanol e acabam preferindo o derivado do petróleo. Na hora que vão analisar o desempenho do motor e o consumo percebem que é mais vantajosa a gasolina e mesmo que o preço do outro combustível baixe, eles se mantém fiéis, diz.

Índice

O uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço ultrapassa 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor ao etanol é de 70% do poder dos motores a gasolina. Ou seja, basta dividir o preço do álcool pelo da gasolina. Se o número for maior que 0,7, compensa a gasolina. Se for menor, melhor abastecer com álcool.