Uma gincana que não é brincadeira

Uma gincana entre alunos do curso Jovem Agricultor Aprendiz (JAA), do SENAR-PR, mostrou a avidez de adolescentes e jovens pelo domínio e aplicação da tecnologia. A competição entre turmas dos municípios de Araruna e Corumbataí do Sul, realizada em Barbosa Ferraz, foi considerada pelos organizadores como a celebração do conhecimento que eles adquiriram no curso, de 144 horas/aula (4 meses).  As tarefas foram locação de curvas de nível e stand de plantio (no campo) e geometria espacial, noção de física, distribuição de cargas (na prancheta/ou teste teórico). A prova ainda aplicou outro desafio: o conceito da Dinâmica da Ponte. Neste exercício o aluno tem que construir uma ponte em miniatura que simule uma ponte normal. A aferição, correção e atribuição da nota é feita com passagem de um caminhão em miniatura, mas com igual correlação proporcional de peso entre carga-ponte.

O instrutor Geremias, Cilião de Araújo, da equipe do SENAR-PR, deixa claro:  Gincana aqui não é brincadeira; há descontração e amistosidade, mas o conteúdo é técnico e o caráter é competitivo. No final há muita comemoração, com direito a instrumento e corneta, como no futebol.

No aspecto técnico a gincana é um aferidor de desempenho, segundo o engenheiro agrônomo Josiel do Nascimento, supervisor Regional do SENAR-PR, mas ela agrega fatores como integração, conhecimento da região, valorização do próprio indivíduo enquanto cidadão que adquire autoconfiança.  É um incentivo à criatividade. Josiel faz questão de frisar que a ideia partiu de alguém da equipe, o mobilizador Heron Rosa Coneglian, do Sindicato Rural de Barbosa Ferraz, também um dos organizadores da gincana. O resultado, independente dos vencedores, tem que expressar níveis de competência das equipes e aproveitamento do  curso JAA.

Josiel considera gratificante constatar o interesse dos adolescentes e jovens pela tecnologia. Há uma evolução entre as gerações; eles não estão aqui para aprimorar o corte manual da cana, exemplifica Josiel – embora isto também se aprenda no SENAR, para melhorar a mão-de-obra e a qualidade de vida nas lavouras canavieiras.  Eles estão aqui para aprender a lidar com máquinas e outras tecnologias da automação industrial, exatamente o tipo de qualificação que a região está pedindo. O JAA oferece um leque de opções,  inclusive no setor de agronegócio.

O testemunho da constatação do coordenador regional – de que o JAA  incentiva  os jovens a aprimorar seus conhecimentos dentro do segmento agrário –  é a declaração da aluna Nathyeli Moreira Niza, 17 anos, de Araruna. Ela se mostra segura ao manifestar sua opção pelo curso de engenharia ambiental. Os conhecimentos adquiridos no curso e o convívio com o SENAR-PR foram determinantes na escolha, segundo ela.  O curso é experiência única. A cada dia você tem informações que esperava e a partir dessas informações você busca outros conhecimentos. O curso te surpreende, afirma. Filha de agricultor, ela tem o incentivo da família e diz que além do plantio direto, o pai faz rotação de cultura,  práticas que sugerem preocupação com a sustentabilidade.  

De opinião convergente, Jesué dos Santos Júnior, 15 anos, acha que o importante não é mudar da agricultura mas mudar a realidade sem ter que largar e ir embora.  Crítico em relação à grande maioria dos alunos, Jesué entende que além de mudar as práticas e entender a tecnologia, o agricultor deve melhorar a eficiência no lado comercial para compensar tantos  impostos que o Estado não devolve em melhorias. Perguntado sobre o curso JAA, Jesué exclama: É bom, hein! Minha mãe fez os cursos de empreendedorismo e informática fica sempre ligada nas coisas que mexe com os interesses da gente.