Na última semana, a interdição de uma pensão usada como ponto de venda do tráfico trouxe à tona mais um problema em Campo Mourão. No hotel, interditado, dois homens moravam há mais de 12 anos e permanecerão morando lá. A cidade não tem hoje, segundo a Secretaria de Ação Social, um local para abrigar pessoas idosas. O Lar dos Velhinhos Frederico Osanan está lotado e a casa de passagem São José é um albergue, ou seja, os frequentadores podem ficar por um curto período.
Em entrevista à TRIBUNA, a delegada Maria Nysa Moreira Nanni, havia explicado que os dois idosos não têm para onde ir e que não há abrigos na cidade com condições de acolhê-los. Mesmo em condições precárias, eles moram lá há pelo menos 12 anos. Não há como tirar essas pessoas de lá. Mas a partir de agora, esse estabelecimento não poderá mais ser usado como pensão, afirmou.
O secretário de Ação Social, Samoel Kozelinski, explicou que o município possui abrigos para a recuperação de dependentes e a moradia provisória de crianças e adolescentes. Para adultos não temos abrigos, mas vamos estudar o caso dos dois moradores do hotel antes de definir o que será feito, coloca ele. Kozelinski explicou que apesar da interdição do local ter acontecido na segunda-feira, apenas na manhã de sexta-feira, a notícia dos dois moradores havia chegado à secretaria.
Os administradores da Casa de Passagem foram procurados para comentar o caso, mas estavam em viagem e o responsável não estava autorizado a conceder entrevistas. Porém, em entrevistas anteriores, eles haviam destacado a dificuldade para conseguir manter o local, mesmo com o apoio da sociedade e da administração municipal. O maior movimento é durante o inverno, quando dormir nas ruas é insuportável. Justamente por esses problemas, os abrigados não podem ficar mais do que três dias, com exceção de pessoas doentes ou com algum outro problema específico, mas o caso é estudado antes de qualquer decisão.
A irmã responsável pela admissão de novos internos no Lar dos Velhinhos explicou que o local tem capacidade para 65 pessoas, mas neste momento apenas uma vaga está aberta e já há três pessoas habilitadas na fila de espera. Ela explicou ainda que a desocupação do local dificilmente acontece porque a família recolhe o idoso, mas que na maioria dos casos, só é liberada a vaga quando há algum falecimento.
Em casos encaminhados pelo Ministério Público, o processo é automaticamente levado para a psicóloga do Centro de Referência em Assistência Social (Cras), que é ligado à secretaria de Ação Social, e a pessoa entra na fila de espera. Quando a família procura, é feita uma visita domiciliar para provar que a pessoa precisa da vaga. Se o idoso é lúcido, ele precisa querer ser levado para o lar.