Banco doará ração para “Pitoco”

A história de Pitoco, o cãozinho que ficou conhecido após ter que deixar o setor de caixas eletrônicos do banco Itaú em Campo Mourão, ganhou ontem um novo capítulo. Há pouco mais de um mês, depois de adotado, o banco anunciou que doará ao cachorro 30 quilos de ração por mês. O benefício será vitalício, ou seja, enquanto o animal viver. Contudo, a nova dona de Pitoco, Regina Beltrão, 65, informou que foi assinado com a agência de Campo Mourão contrato válido por um ano. O documento será renovado ao seu vencimento.

De acordo com Regina, o contrato foi assinado ontem à tarde, pela gerente da agência local do Itaú. Regina explicou que uma casa agropecuária de Campo Mourão fará a entrega da ração todos os meses em sua casa. A ração é de boa qualidade com vitaminas e ômega3. O produto é de primeira, comentou, lembrando que o banco fez a doação de espontânea vontade.

Apesar de a ração ser doada especialmente para Pitoco, Regina já comunicou ao banco que repassará o produto à Associação de Proteção aos Animais São Francisco de Assis (APASFA). Segundo ela, a associação vem enfrentando dificuldades para comprar alimentação aos animais. Tenho certeza que eles [os cães da associação] precisam muito mais que o Pitoco. Em casa ele já tem o que comer do bom e do melhor, falou.

A reportagem conversou ontem, no início da noite, com a assessoria de imprensa do banco. Segundo informações, a história de Pitoco comoveu funcionários e diretores da agência. Antes da adoção o banco já estava mobilizando associações para promover a adoção de Pitoco. Mas neste meio tempo uma cliente do banco se ofereceu para ficar com ele. Ficamos muito felizes com o desfecho da história. Como já havia uma mobilização do banco, resolvemos continuar contribuindo, completou a assessoria.

Companheiro

Segundo Regina, Pitoco, que chama agora Ezequiel Beltrão, é um cachorro esperto e companheiro. Bastante dócil. Ela explicou que o cão já se acostumou com a nova moradia. Quando saio para a rua caminhar com o Pitoco ele quer voltar logo para casa. Ele é uma graça. Um presente, comentou.  Conforme a dona, Pitoco já recebeu mais de 20 visitas desde que foi adotado. São pessoas que se preocupam com ele. Querem ver se realmente está comigo, frisou.

Ela disse que às vezes, nas caminhadas com o companheiro, passa em frente à antiga moradia de Pitoco. Regina revelou que o cão parece nem se lembrar mais que morou durante 10 anos no setor de caixas eletrônicos da agência. Porém o bichinho não se esqueceu das pessoas que o alimentavam quando ainda pernoitava no local. É incrível como ele se lembra daqueles que cuidavam dele. É um cão realmente muito especial, disse.

Além de Pitoco, Regina mora em companhia de outros três cães: Zeca Beltrão, Rita Inês Beltrão e Fadinha Beltrão. Todos sem raça definida. Conforme ela, os cães têm nome e sobrenome porque são considerados membros da família.

O caso

Pitoco é um cão de pequeno porte totalmente dócil. Segundo informações, ele morava na agência bancária há pelo menos 10 anos. Porém, após todo esse tempo pernoitando no local, o banco pediu a retirada dele. Por medidas de segurança, as portas de acesso aos caixas eletrônicos passaram a travar automaticamente após as 22 horas. Com isso Pitoco permanecia trancado e, de acordo com a gerência do banco, fazia suas necessidades fisiológicas no local.

O caso ganhou contornos de polêmica no início de novembro, após uma pessoa agredir o cão na entrada do banco. Pitoco chegou a ser levado a uma propriedade rural, próximo a Araruna por um segurança da empresa, mas retornou à agência cerca de dois dias depois.