Região perdeu R$ 1,4 bi com estiagem

A falta de chuvas desde novembro do ano passado causou na região de Campo Mourão, uma redução de 33,1% na safra de grãos de verão 2011/2012. Somados, os prejuízos chegam a R$ 1,4 bilhão, segundo levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). As perdas se concentram nas culturas de soja, milho e feijão.

De acordo com o novo relatório da Seab, divulgado nesta semana, a soja teve uma redução de 14,8% na produção. A área de plantio da oleaginosa na região é de 574.169 mil hectares. Em alguns municípios a perdas foram ainda maiores, de até 50%. Inicialmente, a expectativa era colher 1,7 milhão de toneladas. No entanto, o número despencou para 1,4 milhão, o que aos preços de hoje (43,50), significa prejuízo de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

Já o milho, que mais sofreu com a falta de água, a queda de produção foi de 19,3%. A área total da cultura na região é de 35.696 hectares. A expectativa de colheita era de 303, 4 mil toneladas, mas caiu para 245 mil. Os prejuízos, considerando a cotação atual, R$23,10 a saca de 60 quilos, são de cerca de R$ 116,8 milhões. A situação da cultura é mais grave. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), grande parte das perdas é irreversível.

De acordo com o chefe da Seab de Campo Mourão, Edson Batilani, as chuvas dos últimos dias reduziram as perdas, principalmente da soja. O milho que estava na fase de floração se recuperou, disse. No total, segundo a Seab, 65% das lavouras estão em boas condições. Se as chuvas não tivessem chegado as perdas seriam catastróficas, disse.
 

Paraná

Em nível de Paraná, a estiagem causou redução de 18% nesta safra, antes estimada em 22,2, milhões de toneladas. Estima-se queda de 3,95 milhões de toneladas, concentrada nas lavouras de soja, milho e feijão, o que significa prejuízo de R$ 2,48 bilhões.

O novo relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, foi divulgado na quinta-feira. As chuvas de janeiro deverão favorecer o plantio de feijão e de milho da segunda safra, culturas que terão área maior que no ano anterior.

A produção de soja, inicialmente estimada em 14,11 milhões de toneladas, foi reavaliada para 11,67 milhões. Estima-se quebra em torno de 17,3%, o que significa que cerca de 2,44 milhões de toneladas deixarão de ser produzidas, causando perda de R$ 1,76 bilhão.

A área plantada com milho primeira safra, no Paraná, é de 945.656 hectares, 22% a mais que a plantada no ano anterior. A expectativa era que a produção atingisse 7,47 milhões de toneladas, 21% acima do volume obtido no início de 2011 (6,1 milhões de toneladas). No entanto, de acordo com o levantamento do Deral, a estiagem fez com que a estimativa caísse para 6,05 milhões de toneladas, redução de 19%, que representa quebra de 1,42 milhão de toneladas e prejuízo de R$ 556,8 milhões.

Estima-se que 64% da área total destinada à cultura do feijão primeira safra (246.131 hectares) já foi colhida. A produção inicialmente esperada era de 430.656 toneladas. Porém, temperaturas abaixo da média e a estiagem comprometeram o potencial produtivo. Segundo o levantamento, estima-se quebra de 20% da produção de feijão (86.417 toneladas), o que representa prejuízo de R$ 161,76 milhões. A produção atual está estimada em torno de 344.239 toneladas.
 

Clima

Em dezembro o regime de chuvas ficou abaixo da normalidade, comprometendo o desempenho da safra. Segundo o Simepar, na estação meteorológica do núcleo regional de Campo Mourão, choveu abaixo de 33% da média normal para o mês. No início de janeiro, voltou a chover, com mais intensidade a partir do dia 12, amenizando a estiagem e favorecendo as lavouras que ainda estavam nas primeiras fases de desenvolvimento. Porém, nas áreas em que as plantações estavam mais adiantadas e que ficaram por maior período sem receber chuvas, os prejuízos são irreversíveis.

Produtor começa colheita e contabiliza prejuízos

Em Campo Mourão, o produtor rural Vicente Mignoso, começou na sexta-feira a colheita de seus 62 alqueires de milho. Ele estima perdas de 30% em sua lavoura. Mignoso que esperava colher 500 sacas por alqueire está colhendo uma média de 300. Os prejuízos passam de 280 mil.

Segundo Mignoso, o que ainda compensa, são os preços bons – milho R$ 23,10 a saca de 60 quilos e soja 43,50. Esperamos que as cotações continuem neste patamar, se não nem os custos serão cobertos, explicou, acrescentando que a qualidade dos grão está boa.

Mignoso plantou também 165 alqueires de soja. Ele comentou que na cultura, as perdas foram bem menores. Conforme o produtor, a soja mais atingida foi a plantada precocemente, em meados de setembro. Posso afirmar com certeza que as quebras na minha lavoura chegam a 20%, lamentou.

Segundo o Deral, a falta de oferta no mercado deverá manter os bons preços da soja e do milho. As cotações podem subir ainda mais.

Soja

Na região de Ubiratã, começou nesta semana, a colheita da soja. De acordo com a Seab, alguns agricultores registram no município perdas de 20 a 50% na produção. Tem produtor que está colhendo 30 sacas por alqueire. Outros até 130, informou o chefe da Seab de Campo Mourão, Edson Batilani.

Confira a perda por município na versão impressa.