O presidente da Associação Esportiva Recreativa Engenheiro Beltrão (Aereb), Luiz Linhares, protocolou denúncia ontem de manhã no Ministério Público (MP) local, contra a doação de parte do Estádio municipal João Cavalcante de Menezes para a construção de um Fórum Eleitoral. De acordo com Linhares, a doação de 1.557 metros quadrados, área reservada para estacionamento aos torcedores, foi proposta pela Câmara de Vereadores do município em regime de urgência. O clube não está sendo lesado, mas sim o futuro do esporte de Engenheiro Beltrão, alegou o presidente da Aereb em entrevista à TRIBUNA ontem de manhã.
Sem a conclusão das reformas exigidas pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e Comissão de Vistoria da Federação Paranaense de Futebol, o estádio foi reprovado em todos os laudos e, há cerca de dois anos, está riscado do mapa do Estadual. Ou seja, impedido de promover disputas do Paranaense pela 2ª Divisão. O local foi então interditado por sentença judicial.
Entre as rea-dequações, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) solicitou a reconstrução de parte do muro do estádio de divisão entre torcidas, reformas nas arquibancadas metálicas, a construção de sanitários masculinos e femininos, a colocação de arame farpado em cima dos alambrados, entre outras. No entanto, de acordo com avaliações de engenheiros da FPF nada foi feito. O local foi considerado o estádio em piores condições do Estado, segundo a Federação.
Apesar de o local estar desativado desde janeiro de 2010, Linhares informou que a Aereb continuou sendo a comodatária do campo esportivo. A Aereb é comodatária ainda por mais uns 40 a 50 dias e não podemos permitir a doação deste espaço. Fere o estatuto do torcedor. Fazem quase dois anos que o estádio está sem receber jogos. A prefeitura assumiu na justiça que iria fazer as melhorias, mas não cumpriu, reclamou. Ele acrescentou que a Aereb acionará a prefeitura juridicamente sobre o caso.
Outro ponto questionado pelo presidente é a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 23.370 de 12/12/2011, que não permite qualquer doação em ano eleitoral. Foi justamente com base no dispositivo que Linhares entrou com pedido no MP para impedir a doação do terreno. Estamos em ano eleitoral e a Câmara não pode fazer a doação. Os vereadores estão querendo aprovar o projeto. Eles não respeitam ninguém, completou.
A reportagem tentou conversar com o promotor de justiça da Comarca de Engenheiro Beltrão, José Pereira Pio de Abreu Neto, que está conduzindo o caso. No entanto, ele preferiu não comentar sobre o assunto por enquanto. Apenas informou por meio de sua secretária, que está analisando o caso para tomar as medidas cabíveis.
Estádio virou ponto de prostituição”, afirma presidente da Câmara
A reportagem conversou com o presidente da Câmara de Engenheiro Beltrão, o vereador Daniel Paro (PDT). Ele confirmou a existência do projeto. No entanto, disse que passará ainda por avaliações do Legislativo. Nem as comissões foram montadas ainda. Todo o processo de transição será analisado, explicou.
Paro criticou o presidente da Aereb, Luiz Linhares, e disse que o processo está sendo feito dentro da legislação. Ele [Luiz Linhares] abandonou o estádio por dois anos. Por dois anos o nosso estádio virou ponto de prostituição e de consumo de drogas. E agora ele quer fazer graça. Nem sabemos ainda se o projeto será aprovado ou não, falou.
O presidente do Legislativo disse que o projeto entrou na pauta de discussão da Câmara na segunda-feira. Questionado sobre a resolução nº 23.370 de 12/12/2011 do TSE, que não permite doações em ano eleitoral, Paro foi enfático. Afirmou que o terreno será doado à própria justiça e não para particulares. O nosso departamento jurídico está acompanhando o caso. Não estamos doando o terreno para conseguir votos, completou o vereador. (WP)