Ta nervoso? Vai pescar! Quem nunca ouviu essa famosa frase popular, que já virou até letra de música. Com o crescimento do turismo rural, a pescaria é um dos principais atrativos, principalmente para quem trabalha na cidade e quer buscar um pouco de tranqüilidade respirando o ar puro da natureza. Em Campo Mourão, muita gente encontra no pesqueiro uma boa opção de lazer e descanso nos momentos de folga. Uma forma saudável de lazer e relaxamento em família ou mesmo entre amigos nos dias quentes de verão. Para quem cultiva esse hábito, não tem dia nem hora. Muitos aproveitam o finalzinho da tarde, após o expediente de trabalho para espantar o estresse à beira dos tanques abarrotados de peixes. Mas a movimentação maior é nos finais de semana. Campo Mourão já chegou a ter várias opções dos chamados pesque-pagues no início da década de 90, mas hoje poucos ou talvez um único ainda se mantém em atividade.
O mais tradicional de Campo Mourão está localizado às margens da BR-158, rodovia de acesso a Peabiru. O local é visitado também por moradores da região. Aníbal Lopes, 57 anos, veio de Terra Boa, acompanhado do filho e amigos, no final da tarde de quinta-feira. Apaixonado por pescaria, ele não conhecia essa opção de lazer oferecida em Campo Mourão e aceitou o convite do amigo, Alessandro Mancuso, 30 anos. Gosto muito de pescaria, mas nunca tinha vindo nesse lugar. É muito bom e pretendo voltar com toda minha família. É uma terapia muito saudável, pelo ambiente que proporciona junto à natureza, disse ele, enquanto já puxava uma tilápia para fora da água. Esta vou mandar fritar e comer aqui mesmo, animou-se.
O pesqueiro oferece essa opção, ou seja, quem deseja jantar no local já pode alimentar-se do próprio peixe frito, bem fresquinho. O restaurante também dispõe de outras porções. Aníbal é inspetor de um colégio de Terra Boa e tem parentes em Campo Mourão, o que pode facilitar as visitas mais freqüentes ao pesqueiro. Para mim é a melhor coisa para relaxar.
O amigo Alessandro, que é técnico em panificação, já é freqüentador assíduo do local. Sempre que posso venho dar uma pescadinha. Viajo muito a trabalho e quando sobra um tempinho procuro opções de lazer para sair da rotina e relaxar, afirmou. Na quinta-feira, Mancuso estava de folga. Nem mesmo uma chuva fina que caiu no final da tarde espantou o grupo de amigos do açude. Chego a ficar até dez dias longe de casa e quando chego preciso encontrar algo que possa tirar o estresse, revela. Como já passava das 19 horas, e com vários peixes fisgados, Mancuso convidava os companheiros para se aproximarem do restaurante do local para completarem o passeio de lazer com uma cerveja gelada, regada a peixe frito. E tem coisa melhor? Até vocês estão convidados para nos acompanhar, disse à nossa equipe de reportagem.
A mourãoense Cleusa Machado, sempre que o tempo lhe permite também visita o local. Na quinta-feira ela foi acompanhada de seus familiares. Vim com meu filho, nora, esposo e amigos. Gosto daqui por ser um ambiente tranquilo e familiar. A gente relaxa e se distrai pescando, conta ela, que também admite gostar de futebol. A nora de Cleusa, Tailla Francine Bomfin, 18, é estudante e mora em Cascavel. Ela aproveitou as férias para se juntar aos familiares na aventura. Gosto de pescar e achei legal vir aqui. É um lugar agradável e a gente sai um pouco da rotina, fazendo algo diferente, comenta.
O gerente da Viação Garcia, de Campo Mourão, Luiz Antonio Machado, 47 anos, estava acompanhado também de sua equipe de futebol. Trata-se da equipe Bonde do Machado, que quando deixa o campo encontra na pescaria outra boa opção de lazer. A gente sempre se reúne para pescar e jogar bola. Serve para relaxar, acabar com o estresse e recarregar a pilha. Hoje vamos levar os peixes para casa porque boa parte da equipe não veio, disse ele.
Peixe limpo
Mauricio Ribeiro Campos, 23 anos, é um dos atendentes do local. Ele é responsável pela limpeza dos peixes fisgados pelos visitantes. Quem deseja comer o peixe no restaurante local paga uma certa quantia pela limpeza e mais um taxa para a fritura (os valores dependem da espécie e de como o cliente deseja). Recebemos muitas pessoas de Campo Mourão e também da região. Mas o movimento maior é nos finais de semana. Alguns chegam e reclamam que não pegaram nada, mas depois voltam e se animam com uma boa quantidade de peixes. Pescaria é assim mesmo, diz Campos, que trabalha há dois anos no local.
O sócio-proprietário, Carlos César Belini mantém 18 viveiros em uma área de 90 mil metros quadrados. Criamos vários tipos de espécies, como tilápias, bagre-jundiai, piauçu e pacu. No caso das tilápias, temos viveiros com vários tamanhos: de 400 gramas a 1 quilo e de 2 quilos e a 3 quilos, conta ele.