Localizado no primeiro prédio em alvenaria da cidade, o Museu Municipal Deolindo Mendes Pereira, completará no próximo mês 21 anos. Em suas salas e corredores, objetos que levam o visitante de volta aos problemas diários enfrentados no início do século 20. Alguns passos depois, recortes da vida antes da colonização, pratos, panelas e outros materiais indígenas. Para os adultos, conhecer o local é fazer um passeio pela história de Campo Mourão, para crianças, tornar concretos os conceitos passados em sala de aula. No ano passado, o local recebeu 10.420 visitas, e uma média mensal de 600 a 1.200 pessoas.
Quem nasceu depois de 1990 dificilmente consegue imaginar o que é viver sem celular ou então como acreditar que os verdadeiros ‘tijolões’ eram utilizados, antes mesmo do surgimento da tecnologia GSM. Em apenas 20 anos, aproximadamente a idade do museu, o desenvolvimento transformou tanto o aparelho que os primeiros modelos já são considerados ‘peça de museu’. Tenho certeza que daqui a algum tempo teremos os primeiros celulares entre nossa coleção, brinca Edna Simionato a coordenadora do local.
Divididos no espaço estão cerca de 700 peças, sem contar fotos e quadros. Os esforços para montar o acervo foram iniciados em 1984, com o incentivo de Deolindo Mendes Pereira, pioneiro mourãoense que acabou sendo escolhido para nomear o museu. Sua família foi a primeira a chegar ao município quando ele ainda era chamado de Campo da Vila Rica. Ele foi uma pessoa que contribuiu muito com o resgate do histórico do acervo do Museu Municipal, comenta.
Deolindo doou quase 200 objetos históricos. Isso atendia aos desejos do pai que o havia recomendado que tudo o que havia sido usado para desbravar as matas, abrindo Campo Mourão deveria ser conservado. Ele já tinha a visão de que um dia aqueles objetos serviriam para contar a história do município, relata.
Sete anos depois do início da coleta dos objetos, com a Lei nº 724/91, de 22 de março, o museu foi sancionado oficialmente. Naquela época, ele funcionava junto à Casa da Cultura. Alguns anos depois, foi transferido para um local alugado pelo município, na Avenida Comendador Norberto Marcondes. Desde o dia 12 de agosto de 2004, o Museu passou a ocupar as instalações atuais, no coração da cidade. Esse prédio sozinho já tem uma história. É o local perfeito para o museu.
O prédio, localizado na Avenida Capitão Índio Bandeira, esquina com a Rua Francisco Ferreira Albuquerque, foi a primeira construção em alvenaria e está tombado como patrimônio histórico pelo Conselho do Patrimônio Cultural (Compac). Originalmente ele havia sido construído pela Secretaria de Estado da Agricultura para abrigar o posto misto de saúde. Depois foi ocupado pela Secretaria de Estado do Planejamento, antes de ser entregue aos cuidados do Museu.
Nosso museu é histórico, ele relata a história de Campo Mourão desde a sua descoberta por volta de 1760, conta Edna. Entre os visitantes, muitos moradores da cidade, estudantes, e turistas que vem a cidade visitar os parentes ou durante a festa Nacional do Carneiro no Buraco.
Visitas
As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. As doações podem ser feitas nesse mesmo horário. A única exigência é que tenha alguma história, porque senão acaba virando depósito de coisas sem utilidade. Temos um critério, se for rara, antiga e que o museu já não tenha bastante daquela peça nós aceitamos, finaliza.
Salas escondem raridades
Segundo a coordenadora, as salas mais visitadas são as históricas temáticas; ambiente dos viajantes; do pioneirismo; do comércio e religião; saúde e educação; evolução política administrativa; corredor da memória; salas de imagem e som. Além de um corredor com máquinas de datilografia e as primeiras calculadoras, chamadas na época de máquinas de somar. Quem visitar o museu ainda pode conhecer uma sala com peças raras confeccionadas pelo próprio colonizador.
Entre os visitantes, a reação é característica da idade. Entre as crianças, tudo é uma descoberta. Como vivem em um mundo onde as coisas já estão prontas, visualizarem como era a vida antes da invenção da luz é uma grande dificuldade. Eles veem como era com a lamparina e depois mudou para o lampião de cobre antes de chegar aos primeiros modelos. As crianças observam aqui o que os pais contam para eles.
Já os mais velhos, acabam ficando melancólicos, recordando o que viram e imaginando como seria ficar sem tudo aquilo que conquistaram. Museu é um depositário de uma cultura passada, aqui dentro nós temos peças raras que você não encontra em outras casas. Aqui quanto mais antigo, mais precioso, destaca.