Em relação à safra passada, a área de plantio do trigo na região de Campo Mourão sofreu uma redução de 45%. Os números mudam pouco no restante do Paraná. Com a incerteza de comercialização do cereal de inverno e o bom momento do milho safrinha, os produtores não tiveram muitas dúvidas na hora de semear o campo. Segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), essa tendência à redução poderá se repetir anualmente se não houver mudança na política brasileira de importação do trigo argentino.
O principal problema, segundo o presidente João Paulo Kosloviski, é que o grão é usado como ‘moeda de troca’. Isso quer dizer que eles trazem o trigo sem restrição e colocam no mercado interno. Ao mesmo tempo, o mercado argentino está abrindo para o Brasil exportar produtos industrializados. Nós só vamos resolver o problema do trigo quando tivermos uma frente em defesa da triticultura, reforça. Kosloviski defende que nesta frente devem estar envolvidos os todos os agentes do setor produtivo – o produtor, o comerciante e o industrial – junto com os ministérios. Não só da Agricultura, tem de entrar, por exemplo, o Ministério de Relações Exteriores. Para que a gente possa discutir as relações com o Mercosul.
Em relação aos países vizinhos, o presidente acredita que a abertura muito alta que o governo deu durante anos para a entrada de produtos agrícolas foi prejudicial e já está sendo revista para alguns produtos, como arroz, farinha de trigo e mesmo o vinho. Os quais precisam de autorização para a entrada no mercado brasileiro. Se nós não tivermos uma política maior eu sinceramente não vejo um futuro para o trigo brasileiro e é ruim isso.
Essa já é a terceira safra em que a área plantada sofre reduções. A alternância de culturas costuma ser benéfica para a redução nos custos da safra de verão, entre eles a utilização de insumos. Eu espero que o governo um dia acorde porque hoje nós estamos mandando dois bilhões de dólares em divisas para fora do país, o que gera emprego e desenvolvimento por lá. Isso quando poderíamos estar utilizando esses recursos para desenvolver nosso mercado interno, finaliza.
Preço mínimo
O setor produtivo aponta que os baixos preços e a dificuldade de comercialização foram os principais problemas enfrentados pelos triticultores paranaenses. Quadro que poderia ser atenuado com a certeza sobre o preço mínimo determinado pelo governo. Mas novamente a gente se frustrou. O Paraná começa a plantar o trigo a partir de 10 de março e nós tivemos apenas há duas semanas o lançamento do preço do trigo. Qual é o agricultor que não sabe o que vai acontecer em relação à lavoura que vai plantar?, resume.
Nas três últimas safras, o paraná reduziu mais de 30% da sua área de plantio. Temos discutido e queremos retomar uma discussão com o Governo Federal porque se você não garante condições para que o produtor obtenha uma renda mínima em relação a produção de trigo, ninguém mais vai produzir, prevê Kosloviski.