No final de 2011, uma lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa proibindo o uso de sacolas plásticas em todo o Paraná. De acordo com o texto, somente poderiam circular sacolas oxibiodegradáveis. O projeto foi vetado pelo governador e mantido pela Assembleia Legislativa. Muitos municípios têm legislação própria regulamentando o assunto. Em Campo Mourão as sacolas plásticas não são proibidas por lei, mas algumas pessoas têm reduzido o uso por conta própria, além de receber incentivos de alguns estabelecimentos para a opção pelo uso das caixas de papelão ou das sacolas retornáveis.
Desde o veto, há uma grande polêmica sobre o assunto e o questionamento se realmente a proibição ou diminuição dessas sacolas farão diferença no Meio Ambiente e nas cidades. A diretora da Secretaria do Meio Ambiente de Campo Mourão, Adriane Cilião Guimarães de Almeida, fala que existe uma facilidade muito grande de a sacola plástica se esparramar, ir com o vento para todos os lugares. E é grande também, a capacidade de entupir uma galeria pluvial. É diferente pegar um copinho de iogurte e uma sacola plástica. Uma sacola veda totalmente.
Segundo ela é necessário que haja maior investimento em tecnologias de reciclagem para que esses materiais possam ser reutilizados, ou então realmente diminuir a quantidade. O incentivo à população a levar sua sacola é interessante. Temos que começar a pensar em todos os itens, na redução de produção e na reutilização.
No debate que há sobre o assunto, as opiniões são várias. E uma das questões mais abordadas por aqueles que são contra a proibição, ou não sabem bem qual o caminho melhor, é de que as sacolas saem, mas existem milhões de embalagens nada orgânicas que continuam a ser produzidas. A diretora explica que a própria legislação acaba aumentando a quantidade de produção de resíduos. Num restaurante, por exemplo, o talher é envolto num saquinho plástico, ou então num saquinho de papel. O palito de dente também. Você entra num avião, e a quantidade de resíduo que é produzido ali é muito grande. É tudo descartável. E muitas vezes isso é por força da legislação. Como o ‘Ketchup’, que hoje tem que vir numa embalagem separada. Não podem ter mais em lanchonetes os vidros grandes.
Um dos problemas quando se fala em alternativas, está na própria sacola bidegradável. Adriane diz que é necessário que isso seja bem observado, já que muitos tipos das sacolas biodegradáveis, na verdade, não se degradam realmente em compostos reaproveitáveis pelo solo. Elas se degradam em partículas muito pequenininhas. Então não adianta. O resíduo vai continuar ali, ele só não vai estar inteiro.
Para o membro da Associação Brasileira dos Supermercados, participante do Comitê de Perdas, e diretor da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), regional Maringá, Álvaro Machado da Luz, é uma tendência mundial cuidar do meio ambiente. Mas existe muita demagogia neste sentido. Muitos querem se livrar daquele custo que se tem com as sacolas. Mas eu acho que a comunidade, a população, os supermercadistas, alguém tem que começar a fazer alguma coisa. Acredito que se todo mundo fizer uma parte, tudo colabora para o meio ambiente e para o planeta que a gente vive.
Ele explica que tanto a Associação Brasileira de Supermercados, quanto a Apras entende a necessidade de incentivar essas iniciativas ligadas ao meio ambiente. Nosso entendimento é que cada um pode levar da sua casa, utilizar sacolas retornáveis, ou mesmo caixas de papelão. Tudo é questão de aprendizado, uma conscientização ambiental.
Assim como Adriane, Luz também salienta o alto consumo de embalagens. E diz que para que as pessoas parem ou diminuam o uso das sacolas plásticas, é preciso que haja uma reeducação e conscientização. Muitos consumidores já levam as sacolas retornáveis de casa, mas ainda é um numero muito pequeno. Se as pessoas tivessem esse hábito, seria bom.
Consumidores
Na enquete realizada no iTribuna, 16% das pessoas acreditam que o melhor é que seja feita apenas uma redução de produção e disponibilização das sacolas plásticas para os consumidores. 24% são a favor da proibição. E 58% querem que as ‘sacolinhas’ continuem a ser distribuídas.
Para o estudante Uriel Vasconcelos, o investimento em reciclagem é o melhor caminho, e não a proibição. A dona de casa, Camila Cavali, mora em São Paulo, e diz que um pouco de consciência não faz mal pra ninguém. Mas os supermercados estão economizando com isso em São Paulo e pelo que vi, essa economia não está sendo repassada.
Já a pesquisadora Aline Fontana Batista, é completamente a favor. Ela usa sacolas retornáveis e carrinho de feira há bastante tempo. Não custa nada, e nem pesa. As mulheres carregarem uma sacola retornável de pano toda dobradinha dentro das bolsas. E compras grandes, que são carregadas em carro, é só usar caixas de papelão. Mas ressalta que tem muitos pontos que desagradam com a proibição e mudança de hábitos. Claro que ficou mais caro as sacolas de lixo e eles faturam mais com isso, claro que tem muito mais embalagem que também pode ser substituída por materiais que não sejam tão prejudiciais para o meio ambiente quanto o plástico, claro que é mais incômodo carregar sacola retornável na bolsa ou carregar a compra em caixa, claro que se tivesse mais incentivo e recursos políticos para a reciclagem não teria problema usar tanta sacolinha. Mas se ninguém se mexer, e ficar só olhando pros outros, aí a coisa não anda.
Política Nacional de Resíduos Sólidos
A diretora da Secretaria de Meio Ambiente comenta que para nortear todas as ações relativas a esse assunto, tem a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, para o qual, todos os municípios têm até agosto deste ano para montar planos de gerenciamento de resíduos sólidos. Nesse plano, é feito um diagnóstico de toda a fonte geradora de resíduos. A partir desse diagnostico, é visto também como esse resíduo está sendo tratado, onde está sendo destinado, quais são os principais produtores de resíduo, e aí as ações q o município vai desenvolver na tentativa de diminuir a produção, e de aumentar a reciclagem. É um diagnóstico, e um plano do futuro de como fazer o gerenciamento de todos os resíduos. Todo mundo vai ter que parar e pensar nisso.
Segundo Adriane, esta política de resíduos sólidos prega que deve haver uma maior reciclagem e o mínimo de rejeitos. Incentiva também a compostagem do orgânico. E a tendência é diminuir a necessidade de sacola plástica. Se não mexer no bolso das pessoas, não adianta. Se chegar para um empresário e falar, ‘se você não utilizar mais sacola plástica você vai ter ‘tanto’ de economia, a conversa fica muito mais interessante. Porque a maioria das pessoas não se preocupa muito com o meio ambiente, elas se preocupam à medida em que isso influencia nas suas vidas.
Além do próprio empresário, Álvaro também cita que para os consumidores a ideia acaba sendo a mesma. É sentindo no bolso que as atitudes acabam mudando. E exemplifica também com possíveis situações, que inclusive, já são utilizadas em alguns lugares. Se quem usar sacola, tivesse que pagar por elas, as pessoas pensariam ‘por que pagar, se eu posso levar de casa’. Ou então, dar desconto para quem não utilizar as sacolas plásticas. Em Campo Mourão, por exemplo, os supermercados já procuram dar incentivos, por meio de promoções, descontos e brindes para os clientes que deixam de usar as sacolas retornáveis.