Ontem foi o dia em que se comemora a fundação da Atari, Inc, que surgiu em 1972. A empresa de produtos eletrônicos teve como fundadores Nolan Bushnell e Ted Tabney. Foi a principal responsável pela popularização dos videogames com o lançamento, no mesmo ano, do console Atari. Mas, pelos altos preços e pela dificuldade em acompanhar o crescimento das grandes marcas nos anos 90 como Nintendo, portátil Game Boy, Nintendo 64 e Sony, com o Playstation, terminou tendo a própria marca vendida para a Infogrames em 2001.
Mesmo assim, e 40 anos depois do surgimento desse videogame, o Atari foi e continua sendo a paixão de muitos jogadores. Alguns ainda guardam os consoles, geralmente como peça de colecionador ou por nostalgia mesmo, que deram os primeiros passos no mundo dos jogos nos anos 80, quando este videogame chegou ao Brasil (1983).
O educador social Jonatas Senko, 27, lembra que no final dos anos 80, quem tinha um Atari era a pessoa mais legal do bairro, e amigos e primos se juntavam para jogar. Mas quando isso acontecia eu acabava nem jogando, porque era menor e os maiores não deixavam. Ele, que teve um Atari 2600 e um 7800, explica que alguns modelos já vinham com alguns jogos, mas outros eram com cartuchos mesmo. Tinha cartucho que vinha com vários jogos, então um só, já fazia a alegria, enfatiza. Claudio Mateus, 31, também ainda lembra do Atari e conta que sempre jogava. O que a gente tinha era de cartucho. Uns eram com botões para mudar os jogos. Tinha de um, dois, quatro e oito jogos”.
Algo bem comum eram os controles e consoles darem algum problema. Quando quebrava o controle, a gente colocava um lápis ou uma caneta para conseguir usar, disse Mateus. Segundo Jonatas, quem nunca teve medo de levar choque no controle ou nunca cortou o dedo jogando, não jogou Atari, porque os controles eram aqueles Joysticks. A parte de cima dava pra soltar. Dentro, tinha o que fazia realmente movimentar e era como um asterisco, só que de metal e com oito direções. Tipo uma latinha. Os manches viviam quebrando ou dando mauonta que una – Natacao uro de representar o Estado nas Olimpuadas contato, então a gente arrancava a tampa e metia o dedo direto, explica. Além disso, diz ele, era comum também os aparelhos queimarem.
Lembrando dos jogos, Senko cita o famigerado ‘Bobby vai pra casa’, o clássico ‘River Raid’, jogavam um de boxe e ele era o único que tinha o ‘X- Man’. X-Man mesmo, não X-Men. Era um joguinho pornô, bota fé? Mas não entendia bem na época, se explica. Um que gostava muito, era o do detetive que saia correndo pra pegar o bandido no shopping. E também o ‘Pitfall’. Até hoje lembro a musiquinha de quando morria ‘tã-nãnã-nãnããããããã’ (risos). Morria de raiva.
Os personagens dos jogos eram ‘quadrados’. Mas esse é um ponto que Senko acha interessante. O bom dele é que pra tudo tinha que usar a imaginação. Eu tinha muitos jogos, e não tem como dizer que aquilo eram carros, pessoas, naves, etc. Daí a imaginação, criatividade corria solta. Hoje os jogos já vêm prontos. Não que seja ruim, eu mesmo procuro o maior realismo possível. Mas sei lá, parece que essa parte não é mais estimulada, lamenta.