O Ministério Público e a Câmara de Vereadores de Mamborê investigam o prefeito Ricardo Radomski (PSD), e a secretária de Ação Social e primeira dama, Elisabete Radomski, por uso indevido de veículo oficial. Segundo o Legislativo, a primeira dama estaria utilizando, com aval do prefeito, um Toyota Corolla, placas ARF-1170, da prefeitura, para ir à Universidad Politécnica y Artística del Paraguay (UPAP), Campus de Ciudad Del Este. O Ministério Público (MP) local, já vem investigando o caso há cerca de quatro meses. Radomski e a esposa negam as acusações.
Segundo o presidente da Câmara de Mamborê, Dirlei Martins Pereira (PR), Elisabete teria cruzado a fronteira até o Paraguai por três vezes, nos dias 12/05, às 20 horas, quinta-feira; 2/06, também na quinta-feira, por volta das 17 horas; e 4/09, domingo, às 20h15. Todas as passagens teriam sido feitas em 2011. A primeira dama teria utilizado o veículo para fins particulares até Foz do Iguaçu por pelo menos 16 vezes, denunciou o vereador. Quando ela foi acionada pelo Ministério Público passou a ir com o carro dela, disse Pereira. Conforme o vereador, Elisabete utilizou o carro de abril de 2011 a janeiro deste ano.
Pereira disse ontem de manhã, durante entrevista coletiva na Câmara do município, que iniciou a investigação há dois meses. Ele solicitou à polícia Rodoviária Federal, imagens de câmeras dos dias que o veículo da prefeitura esteve em Foz do Iguaçu e atravessou a fronteira. Segundo o vereador, o que mais chamou a atenção é que o carro permanecia por pouco tempo- de 20 minutos à uma hora-, em Foz do Iguaçu. Pereira denunciou também que Elisabete teria deixado de cumprir expediente na prefeitura para trabalhar na faculdade. Ela está recebendo do município e trabalhando no Paraguai, criticou.
O vereador acrescentou que enviou requerimento à prefeitura solicitando o uso de diárias do prefeito e da esposa. Mas até ontem, segundo ele, o município não havia dado retorno. O caso é muito sério. Isso é dinheiro público. E eu como vereador estou fiscalizando, frisou.
Prefeito e secretária negam acusação
O prefeito Ricardo Radomski e a esposa, Elisabete, negam o uso indevido de veículo oficial. Ele alegou que as imagens apontadas pelo vereador foram feitas antes da Duana. Ou seja, o carro não teria cruzado a fronteira até o Paraguai. Essas câmeras ficam a seiscentos metros da Duana. A pessoa passa pela câmera e retorna na guarita da Polícia Federal, disse. Eu não seria louco de ir com um carro oficial ao Paraguai, acrescentou.
Radomski informou que o veículo esteve em Foz do Iguaçu por várias vezes, mas a serviço da prefeitura. O carro nunca foi ao Paraguai, ressaltou. Foi a Foz do Iguaçu a trabalho. Em Santa Terezinha do Itaipu e Medianeira, tem empresas que prestam serviço ao município. Já passamos para a justiça as despesas do carro, despesas que eu fiz, de hotel e restaurante. Não tem nada para comprovar. É uma denúncia infundada. Vamos juntar documentos. Vou provar que não tem nada de errado, comentou o prefeito.
Sobre Elisabete não estar cumprindo o expediente na prefeitura, Radosmki negou também a acusação. Qualquer secretário tem atividades que ele não fique dentro do gabinete. O vereador [Dirlei] se incomoda muito. É tudo politicagem. Por que não fez isso antes, criticou.
A esposa do prefeito, Elisabete também negou ter utilizado veículo oficial para fins particulares. Ela afirmou nunca ter usado o carro para ir à universidade nem a Foz do Iguaçu. Em nenhuma dessas idas do carro a Foz do Iguaçu eu estava junto, disse.
A secretária comentou que trabalha há oito anos na coordenação de cursos de mestrado e doutorado pela UPAP. A primeira dama explicou que vai à faculdade a cada três meses e os cursos, segundo ele, são nos finais de semana. Ou seja, seu trabalho na prefeitura não estaria sendo prejudicado, afirmou.
Presidente diz que Câmara criará CPI para apurar caso
O presidente da Câmara de Vereadores de Mamborê, Dirlei Martins Pereira, disse que o Legislativo criará uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. Ele informou que enviou requerimento à prefeitura, solicitando diárias aéreas e terrestres de Radomski e da primeira dama, desde que o prefeito assumiu o município, março do ano passado.
Vamos correr atrás do que se pode fazer. Se gastou dinheiro do município terá que devolver. Vamos tomar as medidas necessárias cabíveis. Isso não é brincadeira. É dinheiro público da população de Mamborê que está sendo utilizado sem autorização, falou.
MP apura denúncias
O promotor de Justiça de Mamborê, Noboru Fukace, afirmou à reportagem da TRIBUNA, que o MP está acompanhado o caso. Segundo ele, foram feitas diversas diligências com a intenção de colher provas. Em princípio seria uma denúncia de utilização indevida de veículo oficial. O Ministério Público está buscando documentos, informou.
De acordo com Fukace, existe indício suficiente para dar início ao procedimento investigatório. Segundo o promotor, se ficar comprovado o uso indevido de veículo oficial, o prefeito e a primeira dama responderão por improbidade administrativa por dano ao erário e violação aos princípios da moralidade. Conforme Fukace, não há prazo para a conclusão das investigações.