Hoje é um dia especial para ‘Alice no País das Maravilhas’, de Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll. Há 147 anos, era publicada a primeira versão deste clássico que até hoje incita a imaginação de crianças e adultos. Para crianças, tem poemas populares infantis e personagens incríveis. Para adultos, enigmas, sátiras e interpretação difícil quando se une o primeiro ao segundo livro, ‘Alice do Outro Lado do Espelho’. E para todos, pelo mundo fantástico e de sonhos que a história contempla.
A contadora de histórias, Kelly Lopes, explica que a Alice vive num mundo interior. É um sonho que ela entra e vai descobrindo as coisas. É um psicológico dela que não está aflorado, mas que vai afloras depois. Ela está perdida, mas se encontra. E quando a Alice se encontra, é o momento em que ela acorda.
Segundo ela, é a magia da história que leva ao gosto por Alice no País das Maravilhas, mesmo sendo antiga. É uma história que mostra em que mundo as crianças vivem, o que tem no imaginário delas. É o mundo da descoberta. Além de que, o desconhecido causa o medo, que leva ao desafio, e faz chegar ao conhecimento. É uma construção, afirma.
Esta alusão ao desenvolvimento é o que proporciona à história se perpetuar por tantos anos. Não para na infância, mas continua tendo o sentido transformado conforme as pessoas vão crescendo. A acadêmica de Direito Lorena Gustavo, diz que sempre gostou do gato por ele sumir e falar as coisas pela metade, deixando-as ‘no ar’. Acho que ele era o mais marcante. É claro que quando a gente é criança é só mais um desenho, mas depois eu fui vendo o quanto o livro é subjetivo. Várias passagens do livro, que eu não conhecia, são muito profundas. Os diálogos da rainha são muito interessantes e meio subliminares. Aí eu fui atrás do original, porque só conhecia o filme e a versão Disney impressa, explica.
A estagiária em Jornalismo, Maiara Orlandini, diz que não sabe por que começou a gostar, mas lembra que era mágico, e que chegou a ser proibida pela mãe de ir à locadora porque sempre queria o mesmo filme. Eu fui crescendo e a Alice sempre foi meu filme preferido. Sempre achei mágico e lindo porque ela tem um mundo dela, e toda criança tem a fantasia de ter um mundo seu. Eu imaginava que meu mundo tinha flores gigantes iguais ao da Alice e acho que isso me prendeu.
Maiara afirma que o filme dirigido por Tim Burton, de 2010, baseado na história de Lewis Caroll, não tem aquela magia que os filmes infantis têm, mas gostou muito. A Alice continua sempre corajosa e forte, mas é um pouco mais macabro. Ela tem três versões em filme sobre a mesma ficção, várias blusas com a Alice estampada e os dois livros. Quando eu era criança e assistia aos filmes da Disney, eu achava tudo com sentido. Era ‘super aceitável’ ter coisas maiores que você, até flores. Acho que por eu ser pequena, enxergava o mundo maior. Eu não achava um absurdo e fantasioso ter bichos maiores. E agora eu sei que aquilo não passa de fantasia de desenho animado, mas eu ainda acho mágico, relembra.
Hoje os autores fazem muitas releituras de histórias antigas e clássicas, trazendo os assuntos para a atualidade. Kelly Lopes afirma que a Alice de hoje já tem outras coisas que a tecnologia trouxe, mas ela continua sendo a Alice. As descobertas pelas quais a personagem passa, não importam a época, lugar ou idade, continuam a existir para todo mundo. Por esse motivo, salienta, tanto esta como outras histórias que abordam assuntos ligados à construção do ser, tendem a permanecer interessantes mesmo que se passem muitos anos.