Os perigos no trânsito, a correria e a busca por clientes está no dia-a-dia dos mototaxistas. Isso não acontece apenas em cidade grande. Campo Mourão, apesar de ser uma cidade pequena se comparada a São Paulo ou Curitiba, também exige a rapidez e eficiência dos motoqueiros que têm essa profissão.
Jucimar Batista de Souza trabalha há 10 anos como mototaxista e diz que as dificuldades do trabalho são várias. Tem dia que você ganha, tem dia que não. Varia muito. Tem mototáxi que ganha um pouco mais porque tem uma clientela no celular. Só que você não consegue viver só do celular. Você tem que viver do ponto e do celular. Até mesmo porque os clientes que a gente tem no celular foram conquistados com o trabalho na central de mototáxi. Ele explica que a grande maioria usa o trabalho como ‘bico’. Tem vigia, funcionários de outras empresas, pedreiros que trabalham durante o dia e vêm fazer mototáxi à noite.
Para se manter na profissão é preciso levar a sério. A gente que trabalha e leva a serio, consegue manter alguma coisa. Você ganha um dinheirinho, mas a despesa é grande, que é a gasolina, diária de ponto, manutenção da moto, moto vira e mexe está estourando alguma coisa. E na realidade você tem que ralar, se não, não consegue se manter.
Além das questões financeiras, algo que deve sempre estar atento é à segurança. Souza diz que além dos riscos comuns de estar com garupa ou sozinho, mesmo os motoqueiros sendo responsáveis, seja de mototáxi ou não, há o risco de levar uma pancada de carro, de bater, chuva, frio, é uma explosão de loucura. Tem muita gente complicada, tem os riscos de madrugada, de perder a moto, ser assaltado. Medo eu nunca tive, mas eu já perdi até moto em assalto. Eu saí numa corrida uns anos atrás e os criminosos meteram o revolver.
O mototaxista Darci Cardoso que está na profissão há três anos, já sofreu acidente no trabalho. É muito perigoso, mas tem que encarar, fazer o que. O pessoal não respeita os motoqueiros. Mas tem que tomar cuidado, ir devagar. Já me acidentei e me recuperei há pouco tempo e estou trabalhando de novo. Tive que ficar seis meses parado. Aqui já está começando a parecer cidade grande com certeza, tem muito carro, muita moto.
A rapidez que os clientes exigem dos mototaxistas também pode levar a infrações e as pessoas têm de entender que, apesar de ser um veículo rápido, não tem como chegar em poucos minutos em um lugar que, por exemplo, fique do outro lado da cidade. Jucimar Batista diz que muitas vezes a gente acaba até cometendo uma infração ou outra porque a pessoa liga dizendo que está atrasada, aí você monta na moto e sai feito um louco. Só que tem gente que acha que moto é avião, e não é por aí. O moto taxi é um serviço de urgência, emergência. Quem usa mototáxi é porque está sempre precisando de uma coisa rápida.
Segundo o mototaxista, os dias que dão mais corrida são de manhã, de segunda a sexta. Nos finais de semana, é mais à noite. E quando passa do dia 15, começa a ficar mais fraco o movimento. Quem pega mototáxi são pessoas de 18 anos a 60, grávidas, idosos, criança pra levar na escola, não tem idade específica. No caso dele, diz que apesar de todas as dificuldades, não conseguiria ganhar numa empresa o que ganha trabalhando como mototaxista.
A estudante Bruna Priscila Araújo usa o serviço de mototáxi há cerca de um ano e meio. É mais fácil e tenho confiança. Além disso, é mais em conta. Minha casa não é perto do centro e eles esperam. Como a circular subiu, está compensando pegar mototáxi..
Regulamentação
O mototaxista, Mauro Eleutério dos Santos, está na profissão há quatro anos. Ele explica que para trabalhar de mototaxista é necessário fazer o curso de transporte individual, que ainda não tem na cidade. O mais próximo que tem é em Maringá e o valor estipulado é de R$ 500,00 a R$ 600,00. Além disso, a gente tem que comprar o colete que custa na base de R$ 200,00, que é aquele colete tipo espinha de peixe, refletivo. ‘Mata cachorro’ (protetor de motor), antena, faixas refletivas. Aí tem a questão de documentação. Tem que mudar a placa para a vermelha. Tem que ter descrito na carteira de habilitação nas observações que a gente tem o curso de transporte individual de passageiros. Legalmente a gente ainda não está porque precisa da documentação.
Quando foi aprovada a Lei para que houvesse o curso para os mototaxistas, ele explica que tiveram um ano para se adequar, mas nada foi feito pelas prefeituras, porque, segundo ele, deveria ter esse apoio. Tem mototaxista que logo de cara não vai poder gastar isso. A gente precisa de ajuda, salienta.