Custo do transporte deve aumentar 10%

A legislação que determina a jornada de dez horas para os caminhoneiros e a convenção coletiva que definiu aumento de salários para os motoristas devem impactar no custo da safra de grãos. Entidades ligadas ao setor apontam que o reajuste deverá chegar a 10%, motivado também pela elevação no preço do diesel. Desde que a lei entrou em vigor, já houve acréscimo de 5% no valor contratado pelas transportadoras no Estado.

A lei citada, n º 12.619, determina que o motorista profissional trabalhe no máximo dez horas ao volante por dia e descanse 30 minutos a cada quatro horas. O texto também determina que o tempo de descanso deverá ser de 11 horas entre uma jornada e outra.

De acordo com a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), os custos com frete representam de 6% a 8% no preço final da soja e de 10% a 12% no milho. No entanto, o superintendente adjunto da organização, Nelson Costa, revelou que esse valor pode ser muito maior dependendo do destino do grão. No Paraná as distâncias são menores e isso reflete no custo do frete. O Mato Grosso, por exemplo, tem um custo muito maior. Pode ser que até 25% do valor em média seja pago em frete.

A adequação à legislação trabalhista e aos custos que elenca serão tema de uma reunião de dirigentes cooperativistas na próxima segunda-feira. Estamos preocupados e o tema deste ano será justamente como o setor pode se adequar às exigências.

Reajuste diesel

Em um mês, o preço do óleo diesel foi reajustado duas vezes. A primeira foi no final de junho, quando houve acréscimo de quase 4%. No último dia 16, novo reajuste. Dessa vez, 6%. Para evitar que o impacto para o consumidor fosse ainda maior, o governo zerou a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que incide sobre os derivados de petróleo.

Atrasos no embarque refletem no preço

Desde que a greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entrou em vigor, o movimento nos principais portos do país teve quedas significativas. Sem a emissão da autorização para que os navios atraquem nos portos, os grãos vem atrasando para serem embarcados e o atraso significa prejuízo. Ainda mais quando aliado à operação padrão da Receita. Isso gera um custo que aumenta a cada dia e esse prejuízo quem acaba arcando é o agricultor, destaca Costa. Em relação às exportações, o custo já é sentido nesta safra. Quanto ao embarque de fertilizantes, as consequências serão sentidas na próxima safra.

Os funcionários da Anvisa entraram em greve dia 16, pedindo reposição salarial de 25%. O aumento reivindicado pelos funcionários da Receita é de 30%. O dirigente da Ocepar explicou que não há muito a ser feito. Os frigoríficos conseguiram uma liminar exigindo o embarque, mas no restante precisamos esperar e contar com o sol, acrescenta Costa ao se referir aos atrasos causados também pelo excesso de chuvas em Paranaguá.