Famílias ‘retomam’ controle de parque

O Parque do Santuário da Nossa Senhora da Rosa Mística, inaugurado em 1994 em Engenheiro Beltrão estava há mais de oito anos abandonado. Com a insegurança, a pista de caminhada passou a ser usada por usuários de drogas. A imagem da santa que nomeia o parque havia sido depredada. Há pouco mais de um mês, o espaço foi reinaugurado e com a certeza do monitoramento por câmeras de segurança ligadas à Polícia Militar, as famílias retornaram. Além da gruta que já existia, o parque ganhou uma Academia da Terceira Idade (ATI), lanchonete com pedalinhos e o Museu Histórico ‘Yutaka Kitayama’. Ontem a Igreja comemorou o dia da Nossa Senhora da Rosa Mística.

O arquiteto, Fábio Vendramini, 25 anos, nasceu em Engenheiro Beltrão e viu a inauguração do parque quando tinha sete anos. Meus avós frequentavam aqui e com o tempo pararam porque começava a anoitecer e surgia outro tipo de público, comenta referindo-se aos usuários de drogas e álcool.

O pároco José Coelho Pereira, que celebrou a missa da reinauguração em junho, explica que nem mesmo a presença dos jovens da Missão Pelicano – em recuperação pelo uso de drogas e álcool – no terreno ao lado inibia os marginais. Eles até desciam e vinham conversar, mas não adiantava, eles não se intimidavam com a conversa da missão, destaca ao lembrar que nos três anos desde que foi designado para o município, ouviu muitas histórias assustadoras. Dizem que algumas mulheres já foram até atacadas por aqui quando o parque estava abandonado, lamenta.

A cidade precisava de uma área de lazer. Não temos muitas opções em Engenheiro Beltrão e eu sei de muita gente que saía da cidade. Isso precisava mudar, a avenida central estava virando pista de caminhada, reclama Vendramini ao lembrar dos anos em que o parque esteve mal cuidado. O mato tomou conta de tudo.

Para mudar a situação foi preciso que o Governo Federal, por meio de emendas parlamentares investisse R$ 150 mil na revitalização do parque. A conclusão foi em junho de 2012. O museu que totaliza uma área de 161,69 m2 recebeu mais R$ 140 mil do Ministério do Turismo para a construção. A obra leva o nome do pioneiro, Yutaka Kitayama, envolvido em várias obras sociais no município.

Com a reinauguração, a única crítica é ao período escolhido para a reforma. Com tanto tempo, precisava deixar para o final do mandato, comenta a mulher que usava um dos aparelhos da academia. Por medo de retaliações políticas, ela prefere não ter o nome revelado. A gente sabe que os prefeitos anteriores também não fizeram muita coisa, mas a cidade merecia esse parque antes.

Para chegar ao parque, o acesso é com cascalhos e há uma área separada para os pedestres. Todo o caminho também recebeu iluminação especial. Aos domingos é até bonito. No pedalinho a fila demora. Quando tem opção a população do município comparece. Até porque temos muita gente que é bem família, e gosta disso.