Fiscais autuam 20 em um mês de Vazio Sanitário

Em pouco mais de 30 dias desde que entrou em vigor o Vazio Sanitário da soja, mais de 20 proprietários foram autuados por manter folhas verdes de soja em suas terras. A medida sanitária que vai até o dia 15 de setembro tem por objetivo retardar a presença do fungo causador da ferrugem asiática, doença que ataca a cultura e causa sérios prejuízos econômicos aos produtores. Na safra passada, a perda estimada com a ferrugem no Brasil ficou em R$ 4 bilhões. As penalidades para quem desrespeitou a medida vão desde advertência, interdição da propriedade, suspensão de benefícios de créditos do governo estadual e multas.

O engenheiro agrônomo e fiscal da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), José Alcir de Oliveira, explicou os casos foram encontrados nos municípios de Campina da Lagoa, Luiziana, Farol, Araruna, Campo Mourão e Peabiru. Em algumas propriedades encontramos soja plantada que ainda não havia atingido o grau de maturação fisiológica para a colheita [sem folhas verdes] e em outros locais a soja voluntária, ou tiguera, coloca. Para evitar problemas, durante o período do vazio sanitário os produtores devem fazer o monitoramento da propriedade e eliminar todas as plantas vivas, mesmo aquelas que nascem entre outras culturas e às margens das estradas vicinais e carreadores de acesso à propriedade.

Em entrevista recente, Paulo Agostini, engenheiro agrônomo e fiscal agropecuário, destacou que muitos produtores não conseguem ver que a medida representa uma economia a longo prazo. Os produtores estão plantando e tendo uma rentabilidade. Então para eles está havendo benefício. Ele vê um resultado agora e não vê o futuro e isso vai custar mais na safra normal. O objetivo da legislação não é penalizar o agricultor. Mas sim aquele que não preza pela sanidade. 

Histórico do Vazio Sanitário

O Vazio Sanitário foi uma medida tomada atendendo aos pedidos dos agricultores para combater a ferrugem que vinha causando grandes prejuízos e o aumento no custo de produção, com necessidade de aplicação de fungicidas repetidas vezes. Oliveira explica que o fungo da ferrugem precisa da planta verde, assim, com esse período de 90 dias, a incidência da doença diminui. Em anos anteriores, todas as amostras coletadas neste período apresentavam focos da ferrugem.

Como o fungo é disseminado pelo vento, o controle acaba sendo mais difícil. A doença surgiu em 2001, e veio para ficar. Uma lavoura contaminada espalha a ‘semente’ do fungo. Se for cumprido o vazio, vai atrasar o aparecimento da doença. As condições para o aparecimento da doença são temperatura de 18º a 26ºC e chuvas abundantes. Uma lavoura afetada pode ter até 90% de perdas, sem contar os gastos com a aplicação de fungicidas. Desde o dia 15 de setembro de 2011 até 15 de junho de 2012, segundo o Consórcio Antiferrugem – uma parceria público-privada liderada pelo Instituto Embrapa Soja, destinada a quantificar os dados da ferrugem asiática, além de oferecer informações sobre o controle – foram registrados 20 casos de ferrugem em todo o Paraná. Somente na região foram três: Campina da Lagoa, Ubiratã e Campo Mourão.

A safra passada, marcada por um inverno seco, não favoreceu a sobrevivência de plantas voluntárias de soja. No inicio da safra houve atraso das chuvas e os plantios foram concentrados, o que auxiliou no controle da ferrugem. Mesmo assim, a incidência da doença no Brasil aumentou os custos de produção da soja em cerca de R$ 4 bilhões.