Apesar de ainda não ter uma posição oficial, os representantes sindicais de Campo Mourão acreditam que a greve na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Câmpus Campo Mourão) será mantida. A resposta à oferta apresentada pelo Governo na última sexta-feira deverá sair até o final da semana, mas as primeiras análises consideraram o acordo apresentado uma tentativa de enganar a opinião pública. Segundo eles, entre 2 e 5% dos professores receberiam os 45% e o principal pedido que é a reestruturação da categoria não foi citado. A impressão que a gente tem é que o governo demorou dois meses e sequer leu as reivindicações, declara o professor Emílio Gonzales, representante do sindicato de Campo Mourão.
Ele explicou que o principal pedido não era o reajuste salarial. Se eles derem os 25% para todos os professores sem considerar a inflação, em três anos já terá comido todo o aumento e será preciso nova greve. Não é isso que a gente quer, diz. No magistério, e mais especificamente no ensino superior, há dois tipos de progressão na carreira – que resulta em melhoria no salário. O primeiro é o critério da titulação, especialista, mestre e doutor. O segundo é o tempo de serviço. Mas ao invés dessa progressão constar no salário, são incorporadas gratificações, destaca antes de explicar que as gratificações podem ser cortadas ou reajustadas por outra tabela.
Quando o governo concedeu o reajuste de 4% ao mesmo tempo estabeleceu um teto para gratificações por periculosidade. Agora o máximo é R$ 180. Então um professor que recebia R$ 360 de gratificação vai ter o reajuste, mas vai receber menos do que antes e esse é só um exemplo, coloca.
Segundo Gonzalez, o plano de carreira das universidades públicas federais é muito confuso e muitas categorias não chegam ao nível final, que seriam os professores titulares que receberiam os 45%. Para chegar, eles precisam prestar outro concurso e abrir mão dos 25 ou 30 anos de carreira. Então na prática é uma mentira.
De acordo com Gonzalez, é preciso esperar pela análise dos assessores de Curitiba para que nenhum ponto da proposta seja perdido. As entidades pediram até o final da semana para a análise. Mas temos fortes motivos para acreditar que a greve vai continuar, completa.
Proposta do governo
A proposta prevê mudanças no plano de carreira, que entrariam em vigor a partir de 2013, e um aumento salarial que, de acordo com o Ministério do Planejamento, pode chegar a 45% para o topo da carreira – professor titular com dedicação exclusiva (somente doutores).
O texto ainda precisaria ser encaminhado como projeto de lei para aprovação no Congresso. O governo diz ainda que irá conceder reajuste salarial a todos os docentes federais de nível superior, totalizando 143 mil profissionais, além dos 4% já concedidos por uma medida provisória e retroativos a março, ao longo dos próximos três anos. Os servidores administrativos não foram incluídos na oferta.
Principais reivindicações dos professores:
– carreira única para todos os professores das instituições federais (sem a distinção entre Magistério Superior e do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico);
– estrutura de carreira simples, dividida em 13 níveis, com degraus de 5% na referência salarial, a serem cumpridos a cada dois anos;
– piso salarial com referência no salário mínimo do DIEESE (atualmente R$ 2.329,25), para 20 horas semanais;
– ingresso através de concurso no nível inicial;
– desenvolvimento na carreira que valorize critérios acadêmicos e atribuições que tenham como base o tripé ensino – pesquisa – extensão;
– dedicação exclusiva como regime preferencial de trabalho;
– restabelecimento da isonomia salarial por meio de remuneração única e uma linha só no contracheque, incorporando todas as gratificações;
– paridade dos docentes da ativa com os aposentados e pensionistas.