Nova proposta não agrada professores

Na última terça-feira, dia 24, o Governo Federal apresentou uma nova proposta aos professores das Universidades Federais que estão em greve há mais de dois meses. A análise do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), principal entidade representativa da categoria, terminou ontem e a recomendação é que os sindicatos filiados rejeitem qualquer acordo. Em Campo Mourão, os professores devem ter nova assembleia na segunda-feira (30). A principal insatisfação dos docentes é que apenas o reajuste salarial continua em pauta.

Eles ainda não falaram nada sobre o plano de carreira. Mantém tudo focado no salário, lamenta o representante sindical em Campo Mourão, Emílio Gonzalez. Ele explica que ficou mantida a divisão do plano de carreira e a progressão por produtividade. Os docentes pedem que o sistema de progressão seja feito por tempo de serviço e titulação, pois a estrutura atual incentiva a produção científica e tira professores da sala de aula. Eles acabam se preocupando mais em pesquisar e produzir artigos do que montar uma boa aula. Nós queremos resolver isso também, coloca Gonzalez.

Apesar dos problemas, ele reconheceu que já houve um avanço em relação à primeira proposta. Principalmente em relação à base da carreira, que era o maior problema. O governo afirma que a nova proposta amplia o reajuste dos docentes sem doutorado, especialmente daqueles com mestrado, mas permanece a valorização da dedicação exclusiva e da titulação de doutor. O aumento mínimo concedido passa a ser de 25%. A proposta anterior, apresentada no dia 13 de julho, era de 12%. Os reajustes serão aplicados em março de 2013, de 2014 e de 2015. Antes, ocorreriam em julho, maio e março, respectivamente.

O Ministério afirma que os critérios de acesso à classe de professor titular – doutor em final de carreira -, que pela proposta passa a integrar a carreira, serão definidos por um grupo de trabalho a ser formado pelos reitores das universidades federais e dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia e pela representação sindical dos docentes.

Esse mesmo conjunto discutirá as diretrizes de desempenho para progressão e os critérios para promoção às classes das carreiras do magistério federal, promoção do professor titular e certificação de conhecimento tecnológico. Para o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o governo federal já fez um grande esforço para atender as reivindicações da comunidade acadêmica e garantir o aumento mínimo de 25%. Por isso mesmo, acho que está na hora de os professores voltarem às salas de aula e retomarem a rotina acadêmica.

Atividades voltariam parcialmente    

Emílio lembrou que mesmo que os professores voltassem às atividades, o ensino estaria prejudicado, pois não houve qualquer negociação com os servidores técnico-administrativos. Sem eles não há funcionamento da biblioteca, secretarias e mesmo licitações para a compra de materiais de laboratório. Na última semana, os servidores foram à Brasília e fizeram um acampamento, ocupando até mesmo o Ministério do Planejamento para tentar forçar uma negociação.