Menos de dois meses depois do Departamento de Estradas e Rodagens fechar as passagens clandestinas na Perimetral Tancredo de Almeida Neves, a população voltou a destruir as ‘tartarugas’ que impediam que os veículos cruzassem o perímetro urbano da rodovia. A colocação das barreiras nos locais de onde haviam sido retiradas obedece a um plano para reduzir o número de acidentes.
Não consigo entender, os engenheiros projetam para dar mais segurança e os motoristas abrem mão disso. Sem contar que estão destruindo dinheiro público, lamenta o aposentado Salvador Gonçalves. Durante mais de 40 anos, ele morou em frente à perimetral e perdeu as contas de quantos acidentes acompanhou.
Desde que as aberturas foram fechadas, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) estima que as ocorrências tiveram queda de 30% ao longo da via. A PRE tem um balanço dos acidentes registrados no local nos últimos cinco anos. Em 2007, foram 57 ocorrências, resultando em 56 feridos e dois óbitos. No ano seguinte 50, com 38 feridos e mais duas mortes. Em 2009, houve redução maior: 41 acidentes, 25 feridos e uma morte. Mas em 2010, um recorde negativo, quando a PRE registrou 68 acidentes, com 54 feridos e duas mortes no local, sendo que no ano passado o relatório aponta 53 acidentes, com 31 feridos e uma morte. Cabe ressaltar que os óbitos registrados pela PRE se referem somente àqueles ocorridos no local, as pessoas que faleceram no hospital em virtude dos acidentes não são computadas.
Em entrevista recente à TRIBUNA, o chefe do DER, Osmar Lopes, informou que as conversões na Perimetral serão permitidas somente nos semáforos. Além dessas, será implantada apenas uma passagem nas proximidades do Muffato – resultado de um projeto sobre a viabilidade de uma abertura no local. Em relação a outras aberturas, ele relatou que era possível, desde que fosse apresentado projeto semelhante.
Enquanto a reportagem registrava o ‘buraco’ aberto na pista, quase flagrou um acidente entre um Gol e um Corsa. O primeiro vinha pela Panambi e tentou atravessar no sentido Jardim Cidade Nova. Como outro veículo vinha no sentido contrário, ele precisou parar no meio da perimetral. Com isso, o Corsa que trafegava sentido Maringá precisou reduzir a velocidade e desviar no último momento. Está vendo? Não precisa esperar muito para os acidentes voltarem, reclama Gonçalves.