Pode faltar areia em C. Mourão e Região

Desde que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª região decidiu pela proibição da extração de areia às margens do Rio Paraná, na região de Guaíra, as lojas de material de construção vem enfrentando um problema para manter os estoques. Trazer o produto da região de Paranavaí encareceria muito o valor, o que precisaria ser repassado ao cliente. Enquanto o porto do rio Paraná não é reaberto, muitos estão gastando o que tinham em estoque.

A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) que afirmou que as mineradoras estariam fazendo a extração de areia a menos de 100 metros da margem do Rio Paraná, o que é proibido. Considerando isso, a medida foi tomada para assegurar o ‘direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado’. O que segundo eles, só será conseguido por meio da paralisação da extração do produto, que tem causado danos considerados irrecuperáveis ao meio ambiente.

Os primeiros reflexos ainda não foram sentidos pelos consumidores em lojas de construção civil. No entanto, Antônio Pompeu, gerente de vendas de um estabelecimento do ramo, já se preocupa. Só não tivemos problemas maiores porque agora é um momento em que a construção civil não está muito aquecida. Se estivesse, o que temos de estoque não atenderia a demanda.

O metro de areia comprado em Guaíra sai entre R$ 8 e R$ 9. Com a proibição, a alternativa seria comprar em Paranavaí, mais isso eleva os custos. Lá o preço é R$ 17 o metro. Mas o principal problema é o custo com o frete. Além de ser mais caro com o frete, o preço fica 30% mais alto, coloca Edivaldo Borges de Souza, proprietário de outra loja de materiais de construção da cidade. Ele acredita que até a semana que vem, não haverá problemas de falta de areia para os consumidores, mas será preciso pensar em uma alternativa para as compras no atacado.

Contra a medida

A medida não agradou instituições diretamente prejudicadas, representadas pelo Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná) e o Sintrivel (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cascavel e Região), com o apoio da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). Na terça-feira, advogados do Sindicato de Cascavel foram recebidos na sede do TRF em Porto Alegre para discutir o problema com o desembargador Fernando Quadros da Silva.

Recebemos uma sinalização de que o desembargador deve se pronunciar até o final da semana e resolvemos esperar a decisão antes de tomar outras medidas, esclarece Edson Vasconcelos, representante do sindicato de Cascavel e diretor da Fiep. Ele explicou que o objetivo não é questionar os danos ao meio ambiente, mas mostrar o impacto que a decisão terá. A informação de que lojas em Campo Mourão já estão sendo afetadas surpreendeu até mesmo Vasconcelos.Tenho certeza que o dano social é muito maior do que eles tem conhecimento, diz ao se referir ao risco de inflacionar o setor da construção civil ou, em casos extremos, causar demissões pela falta do produto.