Preso professor acusado de abusar de crianças em CM

A Polícia Civil de Campo Mourão prendeu um professor de futsal acusado de abusar sexualmente de pelo menos seis crianças no Jardim Alvorada. A prisão já havia ocorrido no último dia 26, mas o caso foi divulgado apenas ontem. As investigações corriam sob segredo de justiça. R. C. de F., 30, foi apresentado na tarde dessa terça-feira à imprensa. No entanto, recusou-se a comentar o caso. Ele foi preso na própria instituição onde trabalhava, na escola municipal Manoel Bandeira, após os pais das vítimas denunciarem o caso à polícia.

De acordo com o delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial (SDP) de Campo Mourão, José Aparecido Jacovós, as crianças, de sete a 12 anos de idade, eram molestadas na casa do acusado. A polícia ainda aguarda o resultado dos exames para comprovar se houve violência sexual. O delegado informou que, segundo relatos de uma das vítimas, alguns garotos teriam sido abusados dentro da própria escola, mais especificamente, no almoxarifado onde os materiais esportivos eram guardados. Os relatos são bastante comoventes. Algumas mães estão bastante revoltadas, afirmou o delegado. O acusado teve prisão decretada por 30 dias, por crime hediondo. A polícia já pediu também sua prisão preventiva.

Segundo a polícia, seis crianças foram ouvidas e confirmaram os abusos. Algumas vítimas teriam inclusive sofrido penetração, afirmou Jacovós. Pelo menos mais 30 garotos que participavam das atividades da escolinha serão ouvidos nos próximos dias. À medida que essas crianças vão prestando depoimento pode ser que apareçam outras vítimas, falou o delegado.

Jacovós explicou que o acusado matriculava as crianças na escola de futsal, e posteriormente, os atraia à sua residência. Ele dava desculpa de campeonato de videogames, com direito a rodadas de sorvete e pipoca. Depois alguns desses garotos passaram a dormir na casa dele, autorizadas pelos pais que não desconfiavam de nada, frisou.

Como forma de atrair os meninos, o professor também padronizava algumas chuteiras com os nomes das crianças e os presenteavam. Ele escolhia geralmente garotos aparentemente fáceis de manipular, explicou o delegado. Para não denunciar os abusos aos pais, as crianças eram ameaçadas de morte. Tanto a criança como a família sofriam ameaças de morte. Ele dizia à criança que tinha acesso a família e se falassem alguma coisa a família poderia morrer, relatou Jacovós. Informações indicam que o professor não possui antecedentes criminais.

O delegado informou que no interrogatório o acusado alegou que realmente tocava o corpo das crianças, mas apenas fazia massagens. Disse, inclusive, por exemplo, que quando ia vestir a camisa nos garotos enfiava a mão por dentro do shorts.

Na residência, a polícia encontrou um tablet. O equipamento estava protegido por senha e foi encaminhado para perícia. Pode ser que neste equipamento tenha conteúdo pornográfico ainda que não tivemos acesso, adiantou Jacovós. O delegado afirmou que o professor trabalhava na escola há dois anos. Os pais pagavam R$20 por mês pelas aulas de futsal. Segundo a polícia, ele não era contratado nem concursado pelo município. Ou seja, apenas utilizava a estrutura da instituição.

Filho adotivo

Outro fato que chamou atenção da polícia é que um garoto de nove anos morava com o professor. Segundo Jacovós, o acusado teria dito que o menino era filho adotivo dele. No entanto a polícia não encontrou documentos que comprovassem a adoção. O garoto, inclusive, teria informado à polícia que também sofria abusos. A avó teria permitido que o garoto fosse morar com ele. Então os pais entendiam que era filho dele e isso dava mais confiança, completou o delegado.

Secretária diz que acusado não tem vínculo com município

A reportagem da TRIBUNA conversou no início da noite de ontem com a secretária de Educação, Rita de Cássia Cartelli de Oliveira. Ela informou que o acusado, apenas utilizava a quadra da escola para as atividades. Segundo a secretária, ele não possui vínculo algum com o município. Esse rapaz fazia um trabalho que a gente tem conhecimento.  Era com alguns treinos de futebol [futsal]. A gente não tem conhecimento de remuneração. Sabemos que alguns pais contribuíam para que ele desse treino às crianças. E entre essas crianças tinha alunos da escola, informou.

A secretária comentou que as quadras das escolas municipais são liberadas para atividades da comunidade. Ela informou que quando soube das investigações, proibiu o acusado de entrar na instituição. Rita acrescentou que se ficar comprovado o abuso a algum aluno da escola, o município oferecerá todo apoio psicológico necessário. Ela revelou que o acusado foi estagiário do município, porém o contrato foi rescindido já há algum tempo. A professora desconhece informações de que o rapaz teria abusado de crianças dentro da escola. Não tenho conhecimento dessa informação, completou.

Pais pedem justiça

O pai de uma criança de sete anos, que preferiu não se identificar, informou à reportagem da TRIBUNA que a família confiava no professor. Por isso deixava o filho participar dos treinos. Jamais pensava que ele poderia fazer isso com as crianças, revoltou-se.

O pai informou que segundo o filho, o professor molestava o menino dentro do próprio almoxarifado da escola, onde os materiais esportivos eram guardados. De repente meu filho não queria ir mais aos treinos, então, desconfiamos que alguma coisa poderia estar errada, desconfiou o pai.

Segundo ele, o filho comentou que era ameaçado de morte para não relatar os abusos. Com medo do professor, a criança teria ficado sem ir à aula por pelo menos um mês. Graças a Deus meu filho nunca chegou a ir na casa dele. Poderia ter sido muito pior, completou, pedindo justiça. Espero que agora ele fique preso e pague pelo que fez, pediu.

A mãe de outra criança, que também preferiu não se identificar, estava inconformada com os abusos sofridos pelo filho. Ele vai ter que pagar pelo que fez, disse indignada. Segundo a mãe, o rapaz era bastante conhecido na localidade. A gente nunca imagina que isso pode acontecer com o filho da gente. Mas infelizmente quem vê cara não vê coração. Uma pessoa como ele não pode ficar solta na sociedade, disse a mãe.

Ela afirmou que o filho praticava aulas de futsal há pelo menos seis meses. Segundo a mãe, a criança está recebendo acompanhamento psicológico.