Remédios de fácil acesso podem oferecer riscos

Os remédios que não precisam de receita médica para ser vendidos, voltaram, desde ontem (27), a poderem ficar acessíveis aos clientes, devido a uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, é preciso que haja cautela diante da situação, já que todo remédio pode oferecer algum risco se não utilizado da maneira correta.

Desde 2009, uma resolução da Anvisa obrigava que todos os remédios, inclusive os isentos de prescrição médica, só poderiam ser vendidos atrás do balcão do farmacêutico. Porém, trouxe vários transtornos e inclusive leis estaduais para reverter a proibição. Segundo informações da Anvisa, essa resolução não trouxe benefícios aos consumidores, já que os casos de intoxicação não diminuíram consideravelmente e ainda, muitas vezes, fazia com que o direito de escolha do cliente sobre qual medicamento levar, ficasse em segundo plano. Portanto, a Agência decidiu permitir novamente que esses medicamentos fiquem ao alcance dos consumidores.

O farmacêutico Danilo Augusto Tonete, explica que fica a critério de cada farmácia colocar esses remédios nas gôndolas ou não. Não é uma obrigação. E segundo ele, inclusive, não são muitos os que trabalham em farmácias que são a favor disso. Eu vejo isso como um retrocesso. A própria vigilância sanitária e a Agência Nacional de Saúde, preconizam o uso racional de remédios e que se evite a automedicação.

Segundo ele, todo medicamento, por mais simples que seja, como um antiácido ou um analgésico, tem um risco, mesmo sendo isento de prescrição médica. O balcão serve como uma ‘barreira’ e acaba levando a pessoa a sempre se informar melhor sobre o medicamento com o farmacêutico. Com isso, ela fica ciente dos benefícios e riscos.

Os remédios mais vendidos, que não precisam de receita, são os analgésicos, antitérmicos, compostos antigripais, remédios para dor de cabeça e antiácidos. Os casos de intoxicação com esses medicamentos não é tão frequente se comparado com os que necessitam de prescrição médica. Porém, segundo o farmacêutico, se por exemplo, a pessoa faz uso de algum medicamente de uso contínuo, a combinação desses medicamentos pode ser prejudicial à saúde.

Do mais simples ao mais complexo, é importante sempre se informar para que serve e como utilizar o medicamento da forma correta, evitando intoxicação ou efeitos indesejados, orienta Tonete.

A secretária e recepcionista Jessica Moreira, 19, sempre compra esses remédios na farmácia. Segundo ela é mais fácil e rápido. Por exemplo, está com dor de cabeça, vai à farmácia e compra remédio para dor. Muito mais rápido do que ir pra postinho, esperar uma eternidade, fazer a consulta para o médico falar que você não tem nada, te dar um atestado e a receita do mesmo remédio.

Mas ela afirma que sempre pergunta ao farmacêutico como usar o remédio e se realmente faz o efeito que precisa. Mesmo assim, teve problemas com um analgésico e antitérmico. Minha pressão caiu demais. É tomar esse remédio e passar mal o dia inteiro. Deu muito sono, fraqueza, frio, fica meio ruim a visão, foi horrível.

A cota recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), seria de uma drogaria para cada 8 a 10 mil pessoas. E de acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), no Brasil há mais de 60 mil farmácias e drogarias, sendo aproximadamente 3,34 farmácias para cada 10 mil habitantes. Em Campo Mourão, existem aproximadamente 40 farmácias. E todos os dias, dos medicamentos vendidos, 30% a 40% são de remédios isentos de prescrição médica, segundo informações repassadas pelas empresas.

A resolução da Anvisa exige que, na área destinada a esses remédios, sejam fixados cartazes com a orientação: Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico. Mas é preciso que as pessoas tenham consciência e realmente busquem orientação. Os hospitais continuam registrando casos de intoxicação, mas por mais que esses medicamentos não tenham um alto grau de influência nisso, é preciso sempre tomar cuidado, orienta Tonete.