Campo Mourão fechou o mês de junho com saldo negativo de empregos: foram 963 admissões, contra 970 demissões, resultando em sete pessoas dependendo do seguro desemprego. Os números fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O resultado repete o desempenho do mesmo mês de 2011, quando 146 pessoas haviam sido demitidas, confirmando um dos piores resultados daquele ano. Em relação aos 55 municípios com mais de 50 mil habitantes no estado, Campo Mourão está em 37º. Apesar do resultado não ser bom, na comparação com o semestre, o saldo foi positivo (596) e superior a 2011, quando o saldo final foi 346.
Durante 10 meses Silvio Rabello da Silva enfrentou a rotina de depender do acerto financeiro da última empresa em que trabalhou e do valor pago pelo seguro desemprego. Foi bem complicado, a sorte é que eu e minha esposa dividimos as contas, comenta. Há menos de 30 dias, a preocupação se transformou em alívio quando conseguiu a vaga de zelador em um conjunto habitacional recém entregue. O salário faz toda a diferença, principalmente nas contas do dia-a-dia: água, luz e até mesmo o que colocar na mesa para comer.
É uma carteira assinada como a de Silva que João Vitor Benassi pretende retomar em breve. Há um mês, a empresa em que trabalhava passou por dificuldades financeiras. Como já estava enfrentando problemas para pagar o salário dos quatro funcionários decidiu fechar as portas. Foi uma surpresa. A gente saiu do trabalho na sexta-feira e na segunda já não havia nenhum móvel. Esperaram mais alguns dias e deram o comunicado oficial, relata.
Apesar de estar desempregado, Benassi é otimista. Acredita que ainda este mês conseguirá outra vaga no mercado formal na mesma área em que atuava, com vendas. Conversei com amigos e tenho certeza que em breve mudarei esse quadro.
O setor que demitiu Silva há 10 meses, a indústria de transformação, é um dos que mais registrou desligamentos no último mês. Foram 121 admissões contra 147 demissões, um total de 26 pessoas na busca por uma nova oportunidade de trabalho. Além da indústria, também tiveram resultados negativos o setor de serviços, com menos 55 pessoas e construção civil, saldo de 47 trabalhadores sem emprego. Quem mais contratou neste período foi a agricultura, que admitiu 196 pessoas e demitiu apenas 116, resultando em 80 trabalhadores que ingressaram e se mantiveram no mercado formal.
Os números do Caged mostram que em um ano, de junho de 2011 a junho de 2012, a cidade contratou 12.518 pessoas e demitiu 10.853. Somente no primeiro semestre, foram 6.538 admissões e 5.943 demissões, resultando em um saldo de 591 trabalhadores com carteira assinada.
Paraná
O Paraná ocupa o terceiro lugar entre os estados que mais geraram empregos no primeiro semestre. De janeiro a junho, foram criadas 89.121 vagas com carteira assinada. Em junho, foram 5.135 empregos, crescimento de menos de 1% em relação ao assalariados com carteira assinada do mês anterior.
Brasil registra queda
A criação de empregos formais no país teve queda de 25% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Isso corresponde a cerca de 366 mil vagas a menos no mercado de trabalho. No mesmo período do ano passado, as vagas com carteira assinada somaram 1,4 milhão. Em 2012, foram pouco mais de um milhão de novas vagas.
Analisando somente o mês de junho, seguiu-se a tendência de redução ao longo do primeiro semestre. Foram abertos 44% postos formais a menos do que em maio – o equivalente a 121 mil vagas. Os estados com os maiores saldos de criação de empregos formais foram Santa Catarina (57,5 mil vagas), Mato Grosso (37,8 mil) e o Distrito Federal (18,4 mil).