Em um terreno particular de Terra Boa, na PR 082, saída para Engenheiro Beltrão, um buraco foi transformado em verdadeiro lixão. A placa na entrada diz que o local é apenas para entulhos de construção, mas isso não é o que se vê andando pelo terreno. Em meio ao que pode ser reciclável: lixo doméstico e até animais mortos. Esse é o local que há mais de um ano José Aparecido Rodrigues vem usando como ambiente de trabalho. O cortador de cana desempregado busca em meio aos entulhos o que pode ser aproveitado e vendido. A prefeitura defendeu que lá não há qualquer perigo de contaminação para o meio ambiente e que periodicamente as máquinas fazem a cobertura dos resíduos.
A relação de Rodrigues com o lixão começou quando foi demitido pela empresa em que trabalhava como cortador de cana há mais de um ano. Sem parar de vistoriar o que poderia ser levado para o seu carrinho, ele contou que antes de perder o emprego tinha todos os direitos assegurados. Carteira registrada e férias durante quase seis anos.
Segundo ele, é possível retirar por dia entre R$ 25 e R$ 30 com a venda do que recolhe no terreno. Dinheiro suficiente, em sua opinião. Rodrigues não possui família ou preferiu não comentar sobre eles. Há quinze anos, sua casa é em um lar mantido por uma entidade beneficente.
A gente encontra de tudo por lá. Tem muito lixo, mas já encontrei pulseira e brinquedos, conta antes de falar sobre a rotina que começa às 7h30 todos os dias e termina por volta das 17 horas. Não existe férias nem domingo. Se paro não consigo o dinheiro do dia, constata o catador que afirma que é apenas mais um.
Fugindo de qualquer conversa, uma família saía de fininho. A mulher e as crianças, segundo ela, estavam apenas esperando o marido cortar capim no terreno ao lado. Nos braços de uma delas, um carrinho que havia acabado de retirar da terra. Eu trabalho aqui não, só vim passar o tempo, conta sem aceitar dar qualquer identificação. Antes que a redação deixasse o local, um terceiro personagem vinha com a carreta puxada por um cavalo. Também não quis conversar.
IAP pede colaboração
A assessoria de comunicação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou que a regional de Cianorte, que coordena o município de Terra Boa, não recebeu nenhuma denúncia sobre depósitos de entulhos de construção irregulares. A gente pede que a população quando tiver essas suspeitas, entrem em contato com a regional. Não conseguimos estar em todos os locais sem esse apoio, relatou a assessora.
No escritório local, a secretária afirmou que lá não poderiam dar qualquer informação. Tudo precisaria passar pela central em Curitiba.