As coleções de Francisco

Muita gente, quando criança ou depois de adulto, já colecionou alguma coisa. A molecada com as figurinhas, bolinhas de gude, jogos de vídeo games. Os cartões telefônicos, moedas, selos, enfim. Uma variedade de ideias e objetos que cada um se apega, vai acumulando e trata com o maior cuidado do mundo.

O Diretor de uma retífica de Campo Mourão, Francisco Viudes, 60, é um desses apaixonados. Mas, diferente da grande maioria dos colecionadores que têm apenas uma coleção, ele tem logo três. Uma de latinhas de cerveja, outra de miniaturas de carros antigos e claro, uma de carros antigos de verdade.

Ele diz que começou com o hobby há quase 12 anos. Não colecionava quando criança, o desejo veio depois de adulto mesmo. Eu vejo isso como um atrativo e uma ocupação. É um gosto pela coisa que iniciou nem sei por que. Fui comprando, as pessoas me presenteando também. Mas o que leva a gente a fazer isso aí, não é que a gente é desocupada não – brinca – É a nossa atividade. Os carrinhos foram em função a estar atrelado ao nosso serviço de retífica de motores, explica. E afirma que foi pegando o gosto e a partir daí, não parou mais.

Na coleção de cervejas, já são mais de 200, entre nacionais e internacionais. E todas em embalagens intactas. Quando sai para viagens, passa nos mercados e já compra uma marca nova, uma edição diferente. E Viudes garante que não há nenhuma repetida. Da mesma forma com os carrinhos, que confessa ser, às vezes, um hobby de custo bem elevado. Já são aproximadamente 180 modelos diferentes e os preços variam. Um carrinho hoje é U$100 dólares, 90, 150. Depende do modelo do carro. Mas tem contribuição de várias pessoas. Filhos, esposa, amigos já dizem: ‘Ah! Já sei o que vou te dar de presente’ e oferece um carrinho. Em função disso é que a coleção cresce.

As miniaturas são todas de carros antigos. Os modelos mais novos são os fuscas, de 1995. Mas entre eles têm ainda Kombi, Karmanguias, Pé-de-bode, carrinhos conversíveis antigos, Lincoln e até caminhões de bombeiros da década de 50. Francisco diz que tem muita raridade. Além disso, pretende aumentar logo o espaço, porque já não estão cabendo mais nas prateleiras.

Dentre os carrinhos especiais, mostra um Ford 1932, é um carrinho bastante antigo e segundo se comenta, o casal viajava na frente e a sogra viajava aqui [mostra um banco extra, na parte de fora do carrinho], era chamado ‘o banco da sogra. E para não interferir no namoro colocavam a sogra no banco de trás [risos]. E pegando poeira e vento.

Já na coleção de gente grande, Francisco tem quatro veículos. Um fusca 1995, um Chevy anos 90 e dois Landau 75. Todos perfeitamente bem cuidados, conservados e indo para a oficina apenas para manutenções. Nessa coleção também tem história. Um dia chegou um cidadão aqui querendo comprar o fusca. Aí meu filho conta para os amigos que ‘tinha dois loucos conversando’ e eu perguntei por que. Ele respondeu: era um oferecendo dinheiro e o outro não querendo. O cara falava assim ‘você quer quanto no fusca?’, e eu dizia: ‘O fusca não está à venda’. Aí ele retrucava: Mas eu te dou tanto. E eu falava: não, mas eu não quero! E ele de novo, ‘então aumento mais mil’ e foi aumentando. Daí ele dizia assim: olha o dinheiro está aqui no bolso. Não é nem cheque!’. Mas não teve jeito. Colecionador é colecionador e como o próprio Francisco diz, o colecionador preza pela estima. É um valor fora do mercado comercial. E o valor comercial, às vezes, não tem significado algum.