Comoção marca enterro de caminhoneiro

O município de pouco mais de 14 mil habitantes amanheceu de luto. A morte do caminhoneiro Augustino Daboit, 46 anos, durante um protesto em apoio à greve nacional comoveu Mamborê. Pelas ruas e no comércio, poucas pessoas circulavam e próximo das 15 horas, a população lotou a Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no centro. O enterro aconteceu após uma carreata organizada pelos companheiros da vítima.

A família não quis gravar entrevistas, mas informou que o momento é de muita dor. Um dos amigos de Augustino, Marcio Adriano dos Reis, explicou que qualquer morte na rodovia é dolorosa para quem vive nas estradas. Quando ela é causada por imprudência de terceiros, o sentimento é ainda mais forte. A gente compartilha a dor da família porque é a perda de um amigo muito querido de todos. Na rodovia a gente vê pessoas inocentes morrendo por culpa de outros e foi infelizmente o que aconteceu com Augustino.

O grupo de amigos organizou uma carreata com os caminhões para homenagear o amigo morto durante o protesto. Em torno da Igreja os ‘Cavalinhos’ – parte da frente do caminhão – foram decorados com faixas de luto e coroas de flores. Logo que a missa terminou, eles seguiram o caixão. É um pouco daquilo que a maioria do pessoal que gostava dele queria fazer depois de um acontecimento como esse. É revoltante o que nós passamos com a perda do amigo, comenta Reis.

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi quando, ao som de uma música sobre amizade eterna, o telão montado na Igreja passou a exibir fotos com a família e amigos. No município são cerca de 40 motoristas de caminhão e a maioria estava envolvida com a greve e o bloqueio parcial da rodovia. Augustino era genro do ex-prefeito do município, Ivo Brunetta (gestão 1983 – 1988).

O acidente

Augustino participava do quinto dia de paralisação dos caminhoneiros, no trevo de acesso a Mamborê, na BR 369. A vítima estava no meio da rodovia sinalizando para que os veículos diminuíssem a velocidade quando um ônibus de turismo que vinha de Foz do Iguaçu com destino a Londrina o atropelou. No chão ficaram as marcas de freada sinalizando que ele saiu da pista em que trafegava, atingindo o caminhoneiro na contramão, passando por cima da vítima que morreu na hora.

Acusado será indiciado por homicídio doloso

O motorista do ônibus acusado pela morte do caminhoneiro foi levado instantes após o acidente para a delegacia do município onde permanecia preso até o fechamento desta edição. De acordo com o delegado Antônio César Pereira dos Santos, foi recomendado à Justiça que ele seja julgado por homicídio doloso, quando há consciência e vontade de praticar o crime. A gente entende que o fato dele ser motorista profissional é um agravante. Além disso, há dois ou três dias a greve era notícia em todos os meios de comunicação e por isso ele já sabia do que se tratava e precisava ter diminuído, relata. A pena neste caso varia de seis a 20 anos de reclusão.

No final da tarde de ontem, um advogado da empresa de turismo que o acusado trabalhava foi até a delegacia para solicitar a cópia dos autos, documento necessário para o pedido de relaxamento de prisão em flagrante. No entanto, a redação entrou em contato com o jurista e ele informou que ainda não foi contratado oficialmente e por isso, ainda não entrou com nenhuma medida judicial solicitando a liberdade provisória.