O Paraná é o maior produtor de Mandioca – segundo a Associação Brasileira dos Produtos de Amido de Mandioca (ABAM) – e a região da Comcam não fica atrás. De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), o Núcleo Regional de Campo Mourão responde pela quarta maior área plantada, ficando atrás apenas para Paranavaí, Umuarama e Toledo. Apesar de ainda se manter como grande produtora, em relação à safra passada, houve uma redução de 22% em todo o núcleo e 30% no município de Araruna. O motivo, segundo especialistas é a dificuldade para encontrar mão de obra e a elevação nos preços da soja.
Em 2011, a área plantada em Araruna era de 6.500 hectares. Este ano, a extensão caiu para 4.500 hectares. A produção, segundo o Departamento de Economia Rural da Seab também teve redução significativa, 21%. O economista do departamento, Anderson dos Santos explicou que é preciso algumas ressalvas na hora de analisar essa queda. A mais importante é que este ano foi feita uma reavaliação nas áreas e algumas estavam supervalorizadas. Mas a queda foi generalizada. No núcleo regional de Cascavel, a redução foi de 43% e, em Laranjeiras do Sul, 23%.
O gerente comercial de uma indústria de processamento de farinha no município de Araruna, César Borgi, explicou que a redução na industrialização não foi sentida porque o produto entregue na empresa é produzido em uma área de 50 quilômetros. Além disso, no ano anterior, apesar da área plantada ter sido maior, houve muitas perdas. Como aquele foi um período de muita chuva, isso afetou a produção. A mandioca fica sob a terra e com muita água a proliferação de doenças é inevitável. Ele relatou que este ano, por outro lado, a quantidade de chuvas foi na medida certa para a produtividade ser elevada.
O preço também está satisfatório na visão do gerente. Ele explica que o valor pago ao produtor na região é um dos mais caros. Em São Paulo, a média é de R$ 0,30 por grama enquanto na região, o valor pago é de cerca de R$ 0,36. Em uma tonelada, média de R$ 200,00.
Desvantagens
Com o clima e o preço favoráveis, os especialistas apontam dois motivos para a queda. O primeiro, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), é a rentabilidade de outros grãos, especialmente a soja, aliada ao aumento no custo de produção. A menor oferta de terras para arrendamento e a escassez de mão de obra também foram decisivas.
Bagi explicou que muitos produtores até pensam em expandir a área, mas tem medo de não conseguir trabalhadores para a colheita. A produção de mandioca é um dos últimos setores em que apenas o plantio e preparo do solo são mecanizados. A retirada das raízes da terra é feita manualmente. Na região é a cultura que mais utiliza mão de obra e essa mão de obra não existe mais. Os trabalhadores estão indo para os grandes centros em busca de melhores condições de trabalho, completa.
Plantio/Colheita
O período de plantio da mandioca vai de agosto a setembro e a colheita vai de abril a julho. No entanto, segundo especialistas, com a evolução tecnológica, é possível colher praticamente o ano todo. Tirando os meses de novembro e dezembro, geralmente se consegue colheita todo ano. Mas os resultados financeiros são sempre de 18 a 24 meses depois de iniciado o ciclo, finaliza Bagi.