A Universidade Tecnológica Federal do Paraná continua em greve. Hoje completam três meses de paralisação de professores e técnicos das universidades federais, sendo que, ainda não há acordo ou evolução nas discussões das últimas semanas, com o Governo. Com isso, tanto funcionários quanto alunos estão sem saber qual rumo a situação tomará nos próximos dias.
O delegado sindical, Emílio Gonzalez, diz que a situação da greve não tem evoluído muito. A gente ainda espera abrir uma rodada de negociação do governo. A partir do momento da greve, foram marcadas reuniões para que as propostas das confederações sindicais fossem apresentadas. Porém, segundo Gonzalez, nas duas que tiveram, o governo deu propostas prontas que foram rejeitadas pelas classes.
Depois da última proposta ele afirma que há uma pressão sobre os reitores para que realizem o corte de ponto e há a ameaça de declarar que a greve é ilegal. Representantes de categorias que estão em greve, de todo o país, estão em Brasília, esperando que seja reaberta a mesa de negociações. Esta semana foi apresentada como decisiva para serem feitas reuniões com os grupos, porém, o que sabemos até o momento é que não houve evolução, afirma.
Está sendo dito, de acordo com o delegado, que a greve só vai até o dia 31 de agosto, já que é este o prazo para que o Governe feche o orçamento para 2013. Mas ele afirma que isto não é de todo verdade. Se estivéssemos pedindo apenas o reajuste salarial, faria sentido. Mas nossa principal questão é a reestruturação do plano de carreira e isto continua.
Para os alunos
O calendário foi suspenso desde 17 de maio, quando a greve teve início. E só poderá voltar a ser repensado após o término da situação. Aí sim vamos redesenhar um calendário de reposição de acordo com a disponibilidade, levar em consideração os feriados e as férias, explica o delegado sindical.
O maior problema, segundo Emílio Gonzalez, é quanto aos alunos do último ano do curso técnico, no nível do ensino médio. Eles estão ansiosos e preocupados porque querem se formar e pegar o diploma em tempo de fazer o vestibular, mas muitos deles vão acabar perdendo. Muitos alunos bons têm bolsas, convites, ganham concursos, mas infelizemente, se não concluírem o ensino médio, não podem começar este outro.
Quem está fazendo o Ensino Superior na UTFPR, poderia pedir transferência apenas se fosse para uma universidade particular ou estadual. Porém, neste último caso, também há riscos, já que a classe também estuda uma paralisação.
Douglas Marinho cursa Engenharia Civil e se formaria em julho. Tinha pendência em uma matéria e, por causa da greve, não conseguirá colar grau junto com a turma dele. É um transtorno. Já tive proposta de emprego e posso até perder uma oportunidade muito boa devido ao atraso. Eu preciso executar obras, para isto, necessito de registro no CREA e sem estar formado não conseguirei. Até o momento eu concordava, mas eu parei de acompanhar a greve depois de uma proposta muito boa que o Governo fez e eles recusaram. No meu ponto de vista, já poderiam ter voltado. Mas acho que o Governo poderia ter melhorado um pouco esta proposta final.
Já Luana Cortez Gonçalvez, também acadêmica de Engenharia Civil, do 5º período, tem sentido problemas devido ao fato de que, segundo ela, engenharia é uma faculdade muito puxada, quase todos os alunos tem alguma pendência em alguma disciplina. Além disso, ela, que é de Nova Esperança, cita também os custos do imóvel que continua alugado e já está tendo algumas cobranças. Estou de mãos atadas. Penso em procurar um emprego temporário em Nova Esperança, mas teria que ser empresa de algum conhecido. Super complicado isso, lamenta.
Segundo o presidente do DCE, Rodrigo Mendonça, o que mais afeta os alunos são as situações relacionadas ao tempo perdido, como por exemplo: a expectativa de se formar no tempo programado, a expectativa de tirar férias juntos aos amigos, a expectativa de retirar os documentos que precisam para realizar um intercâmbio, porém boa parte dos alunos está percebendo que a culpa não é dos trabalhadores e sim, do ‘patrão’ (governo).
Segundo Mendonça, o Governo vem tratando a educação pública com muito descaso. Para ele, o conhecimento não pode ficar em segundo plano. Ele afirma que o DCE apoia a continuidade da greve, por achar as reivindicações justas, e mais do que isso, constitucionais.
Manifesto estudantil
Na manhã de ontem (16), os alunos da UTFPR – Campo Mourão foram às ruas fazer um manifesto como apoio aos professores e técnicos e também para reivindicar soluções para que os alunos possam voltar aos estudos. Um dos organizadores da passeata, o estudante Henrique Aguiar Coelho, fala que o Governo não liga para os professores, que são quem constrói o futuro do nosso país. Nem sequer marcam uma reunião para fazer uma proposta decente. Nós queremos chamar a atenção deles para que reconheçam isso. Nós também estamos sendo prejudicados. O futuro está sendo prejudicado, afirma.
Calouros
Para novos alunos, o processo também está suspenso e as matrículas só serão realizadas quando a greve terminar. Tem acontecido uma expansão de ofertas de vagas, mas a universidade não cresce no mesmo ritmo, diz Emílio Gonzalez. Segundo ele, falta laboratório, salas suficientes para as atividades e as salas de aula estão lotadas. Não somos contra a expansão de vagas nas faculdades, mas sim, a uma expansão sem qualidade.
Comércio
Segundo o presidente da Acicam, Marcelo Chirolli, o comércio também foi afetado com a greve, já que muitos alunos da UTFPR vêm de outras cidades. Em certo ponto, acabou afetando bastante, porque muitos alunos voltaram para residências fora da cidade e deixaram de consumir. Segundo ele, os setores mais afetados foram os restaurantes, supermercados, bares noturnos e, até mesmo, posto de gasolina.
O sócio-diretor de supermercado, Rodrigo Machado da Luz, diz que a loja localizada no centro de Campo Mourão foi a que mais sentiu com a greve, por ter um público maior de estudantes que moram nesse local. Mas tem ainda muitos que continuam na cidade, porque a parte de pesquisa da universidade continua, o que segundo ele auxiliou para que não afetasse tanto nas vendas.