Desde o dia 15 de junho, os fiscais da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) tem monitorado a área dos 25 municípios da região de Campo Mourão a procura de remanescentes de soja safrinha. Esse período é conhecido como Vazio Sanitário. Em todos os locais autuados, são coletadas amostras da planta e na sequência elas são enviadas para análise em laboratórios. Segundo os fiscais da agência, todas as amostras apontaram a presença do fungo causador da ferrugem asiática. Para diminuir o risco de incidência da doença na próxima safra, a fiscalização está sendo intensificada.
A doença acarreta em prejuízos econômicos para o produtor rural e também o Estado. Perdas de produção, gastos com agrotóxicos e menor arrecadação para o Paraná, explica o engenheiro agrônomo da agência, Paulo Alessandro Agostini. Ele destacou que como o controle é feito por meio da aplicação de agrotóxicos na lavoura, portanto, haverá um aumento significativo no uso desses produtos e consequentemente maiores riscos de contaminação do meio ambiente.
Somente no primeiro mês do Vazio Sanitário, foram autuados 20 produtores rurais na região, equivalendo a uma área de 830 hectares. Agostini lembrou que as atuações estão baseadas na Lei 11.200/95, no Decreto 3.287/97, na Resolução 120/07 e na Instrução Normativa 02/07 do Ministério da Agricultura. As penalidades vão desde multas, interdição da propriedade e vedação ao crédito rural. A proibição para a presença de plantas vivas de soja só termina no dia 15 de setembro.
Vazio Sanitário
Na safra passada, a perda estimada com a ferrugem no Brasil ficou em R$ 4 bilhões. Para evitar problemas, durante o período do vazio sanitário os produtores devem fazer o monitoramento da propriedade e eliminar todas as plantas vivas, mesmo aquelas que nascem entre outras culturas e às margens das estradas vicinais e carreadores de acesso à propriedade.
O Vazio Sanitário foi uma medida tomada atendendo aos pedidos dos agricultores para combater a ferrugem que vinha causando grandes prejuízos e o aumento no custo de produção. O fungo da ferrugem precisa da planta verde assim, com esse período de 90 dias, a incidência da doença diminui.
A doença surgiu em 2001 e como o fungo é disseminado pelo vento, o controle acaba sendo mais difícil. A lavoura contaminada espalha a ‘semente’ do fungo. Com esse tempo sem o vetor de transmissão há um atraso no aparecimento da doença. Além dos fatores humanos – desrespeito à medida – existem condições naturais que favorecem a proliferação do fungo, entre elas as temperaturas entre 18º e 26ºC e chuvas abundantes. Uma lavoura afetada pode ter até 90% de perdas, sem contar os gastos com a aplicação de fungicidas.