Com praticamente 95% do milho safrinha colhido, os produtores contabilizam o resultado e se preparam para a próxima safra. O cereal plantado em junho sofreu com o excesso de chuva e as doenças que atacaram no momento de enchimento do grão. A produtividade acabou sendo um pouco abaixo do esperado, mas ainda superior à registrada em 2011.
Este ano tivemos um resultado razoável, analisa o produtor Wellington Kungel, da região de Farol. Os 12 hectares que plantou com o milho safrinha terminaram de ser colhidos há uma semana. A produtividade na área foi de 70 sacos por hectare, abaixo da expectativa. Pela aparência e o desenvolvimento a gente esperava bem mais, conta. Segundo ele, a ferrugem – entre outras doenças – influenciou em um momento delicado. Somente em junho, foram registrados mais de 300 milímetros de chuva, muito acima da média. A ferrugem torrou o grão. No ano passado, já tínhamos registrado o problema, mas não tinha sido tão forte. Para a próxima safra será necessário ampliar a aplicação de fungicida.
O economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Anderson Roberto dos Santos, explicou que o problema de Kungel foi sentido em toda a região. A média de produtividade foi um pouco afetada pelo excesso de chuva que ocorreu em junho. Principalmente àqueles produtores que fizeram o plantio mais tarde. Apesar disso, a produtividade na região de Campo Mourão foi de cinco mil quilos por hectare, 25% maior do que na safra de 2011. No ano passado, a geada afetou diretamente a nossa produção o que fez com que a quebra fosse bem maior. Este ano, foram plantados 323.691 hectares e a produção total foi de 1,65 milhões de toneladas, quase 50% a mais do em 2011.
Preço
Se a produtividade não foi a esperada, o preço foi outro fator que surpreendeu Kungel, mas dessa vez a surpresa foi positiva. O preço compensou. Deu para pagar as contas e ainda sobrou um pouquinho, comemora o agricultor.
Segundo ele, a comercialização a R$ 26,00 foi um dos maiores valores já obtidos. O único problema é que parte da produção já estava comprometida por um contrato de R$ 19,00 a saca, assinado no início do ano. Havia a notícia de que o preço iria cair e resolvi garantir. Mas ainda tinha um pouco para negociar depois.
Estado
O Paraná espera produzir nesta temporada 10,5 milhões de toneladas. De acordo com o último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o volume é 65% maior se comparado ao mesmo período do ano passado.
Estiagem que ajudou a colheita atrasa plantio
A mesma seca que adiantou a colheita do milho safrinha está começando a preocupar os produtores. Até o dia sete de setembro não há previsão de chuvas e o início do plantio da safra de verão do milho deveria ter começado há 10 dias. Para o final da colheita, não poderia haver clima melhor. Mas os produtores precisam de uma chuva antes de voltar a semear, explica Santos.
Para a região estão previstos o plantio de 30 mil hectares. Temos previsão de que será um ano muito bom de chuvas. Estamos torcendo para que seja assim mesmo. Em setembro e outubro não pode haver estiagem.