Mulher tem objeto na cabeça há dois anos

A dona de casa Priscila Torcate Carneiro, 23, vive um drama em Quinta do Sol. Há mais de dois anos, ela foi atacada pelo marido com uma canetada no olho esquerdo e, até hoje, ainda tem um pedaço de seis centímetros do objeto alojado na cabeça. Com a visão esquerda praticamente comprometida, Priscila está desesperada. O problema é que ela não consegue uma cirurgia para remoção. Já passou por quatro médicos, mas o caso não foi resolvido. Não sabe mais a quem recorrer, nem o que fazer.

A mulher contou à reportagem que o marido a atacou em dezembro de 2010. Ele não teria aceitado o fim do relacionamento. Na época, a vítima foi encaminhada para atendimento em Engenheiro Beltrão. Ficou oito dias internada. Disse que o médico retirou apenas um pedaço da caneta. Sempre senti o pedaço de caneta dentro de mim. Sabia que tinha algo de errado. Então procurei o médico para fazer exames, disse.

O caso foi comprovado no início de 2011, após Priscila consultar em Campo Mourão. Ela disse que só se manifestou agora porque não consegue médico para resolver o problema. Depois de receber encaminhamento de urgência para Curitiba, disse que chegou a fazer duas consultas no Hospital Envangélico, mas o caso continua sem solução. No hospital teve uma médica que chegou a me falar: ou eu tirava a caneta e o olho ou eu ficava com os dois. Que médico é esse?, questionou. Depois disso, afirmou que não retornou mais à Curitiba. Nem mesmo procurou médicos especialistas.

Hoje, Priscila está afastada pelo INSS devido ao incidente. Apesar de ter sido agredida pelo companheiro, reatou com ele. Mora embaixo do mesmo teto. Priscila disse que vive constantemente com fortes dores de cabeça. A visão do olho esquerdo está quase toda comprometida. Sente dormência no lado esquerdo da face. Teme que a qualquer momento possa acontecer o pior.

Priscila informou que segundo os médicos, seu caso é complicado. Eles têm medo de tirar. Até hoje não me passaram nem mesmo se posso ou não fazer a cirurgia, falou. Para as dores, ela toma diariamente apenas paracetamol e dipirona. Ela reclama de nem mesmo ter uma receita específica para o caso. Estou precisando de ajuda, clamou.

Mulher corre risco de perder a visão

A reportagem da TRIBUNA conversou ontem com a médica oftalmologista, Andréia Lavagnoli Poliseli. Foi ela quem descobriu o pedaço de caneta alojado na cabeça de Priscila, após exames de tomografia. A média explicou que como o objeto está alojado atrás do olho, a paciente pode perder a visão esquerda. O corpo estranho passou pela órbita. Tem um pedaço dentro do cérebro, disse.

Andréia comentou que em Campo Mourão não existe capacidade técnica para uma cirurgia do porte. Ou seja, o procedimento médico é bastante complicado. Então a paciente foi encaminhada a Curitiba. Ela consultou comigo há um ano para pedir encaminhamento de urgência. O caso dela já é antigo. No começo foi difícil descobrir que tinha corpo estranho porque uma parte já havia sido retirada, comentou a médica. De acordo com ela, a lesão foi tão profunda que o objeto chegou a quebrar o osso da órbita.

Andréia não soube precisar mais detalhes da paciente, uma vez que após o diagnóstico e encaminhamento a Curitiba, ela não retornou novamente a outras consultas. A médica diagnosticou o caso em dezembro de 2010. Priscila se consultou com ela, pela última vez, em julho de 2011, quando foi encaminhada à capital.