Quando vem uma gravidez, os pais já ficam planejando tudo. O que vão comprar, como será o quarto, quem será o médico, possíveis nomes, enfim. Mas de tudo isso, o ápice é a hora do parto. Hoje em dia, a mãe, mesmo sendo quem dá a luz, não precisa ser a única na sala de cirurgia. Os papais podem estar juntos, dando apoio, ou então, até sentindo um pouquinho da emoção da cirurgia.
O educador físico e professor de tênis, Acir Ortiz é um desses pais corajosos que foi acompanhar o parto do filho, o Gabriel. A ideia foi a de dar apoio para a esposa, Miriam Ortiz, porque em qualquer cirurgia, você fica fragilizado, com medo e é legal ter alguém do seu lado para segurar sua mão, falar ‘estou aqui’.
Acir Ortiz com o pequeno Gabriel
Ele diz que, quando ficaram sabendo da gravidez a ideia já era a de filmar. Mas ele nunca tinha acompanhado cirurgia alguma, o que acabou deixando a situação um pouco ‘esquisita’, segundo Ortiz. Não é abrir, tirar o bebezinho e só. Tem que forçar para cá, empurrar para lá, e pega a toalha, e seca, e é sangue, não é uma coisa legal. Quem falou que é legal a hora da cirurgia, não é verdade. É estranho. E depois, afirma que ficou mais preocupado se estava tudo bem, se tinha dado tudo certo, do que curtiu de verdade.
Mas fala que o interessante foi estar junto, acompanhando. Fiquei do lado do meu filho, peguei ele no colo, foi legal e nunca tinha pego criança pequena no colo porque tinha medo. Gabriel é o primeiro filho do casal, que já vai fazer três anos em setembro. Ortiz ressalta a importância do acompanhamento nessa hora, esse apoio, estar ali junto da mãe. E apesar de toda a preocupação do momento, diz que a emoção e o amor vêm aos poucos. É de pouquinho. É a convivência que vai fazendo você aprender a ser pai. E vai gostando cada dia mais da criança e pegando aquele amor.
O papai Murilo com o pequeno Leonardo
O cirurgião dentista, Murilo Maciel Lustosa, também assistiu ao parto do filho, Leonardo. Ele disse que no começo, não tinha muita certeza se ia ou não ver. Mas foi acompanhando a gravidez da esposa, Franciele Medeiros Lustosa, vendo o filho no ultrasson e depois acabou se decidindo. Até filmou.
É uma tensão. Na hora que nasce você não sabe muito bem o que fazer. Mas é uma emoção muito grande. Como Lustosa trabalha com cirurgias, não chegou a passar mal, mas confessa que foi um pouco esquisito ver cortando a barriga da esposa. Porém estava tranquilo, já que a médica que fez o parto é amiga da família, o que ajudou na confiança. E afirma que, esteve presente em cada minuto que era permitido acompanhar.
Palavra do médico
O ginecologista e obstetra, Antonio Carlos Cardoso, diz que o interesse do pai em assistir ao parto, vem uns dias antes de a criança nascer. Porém, aquela coisa utópica, que é tudo lindo e que o homem é o forte na situação toda, deve ser deixada de lado. É impressionante. A gente prepara o pai para entrar na sala de parto. Explica como ele deve se comportar, como não se aproximar da mesa e sair, caso se sinta mal. Mas os pais, normalmente, são todos ‘machões’. Chegam dizendo que estão acostumados a ver parto de vaca, que já viu cirurgia, que o amigo já quebrou a perna, enfim. Mas a hora que começa a cirurgia a metade dos pais já senta, só de olhar o sangue, afirma. Então eu já oriento até a maneira de cair, brinca.
Cardoso afirma ainda que, a cada quatro ou cinco pais, um acaba sentado e um deitado. Aí normalmente o anestesista funciona como um ‘Siate’. Já corre para segurar o pai e tirar da sala, se precisar. Já houve casos em que o pai caiu, bateu a cabeça, fez corte. Então a gente está mais esperto agora. Sempre fica um atendente perto do pai, para ver que hora ele cai [risos]. Eu até brinco que, alguns pais que são mais medrosos, tinham que por capacete.
É muito comum também, o pai começar a se aproximar da mesa de cirurgia. Frequentemente a gente tem que dar um grito para o pai sair de perto. Eles vão perdendo a noção. A gente fala: fica ali na parede, longe, não chega perto. Na hora que começa o parto, parece que o pai esquece. Ele conta que já teve pai que até pegou na mão dele durante o parto. Conta também que, há muito tempo, um pai caiu por cima da mesa de cirurgia, tanto que agora a gente tem um lugar determinado para o pai.
O obstetra diz que, tanto o parto normal quanto a cesariana, são bonitos só para contar. Na cesariana tem muito sangue, muito líquido, muita tensão. É uma cirurgia escabrosa. E o próprio parto é angustiante. É muito difícil os pais assistirem ao parto normal. E é até melhor, pois, como afirma Cardoso, é muito demorado e eles acabam atrapalhando mais do que ajudando.
O interessante é quando nasce o neném. Ali é pai. Os machões desmontam e choram, afirma o médico. Fora isso o que acontece muito é de que, no começo, o marido está do lado da esposa dando apoio. Mas na hora que nasce o neném, ele some e vai atrás do pediatra. Depois que o bebê vai para o berçário, o pai não volta mais para a sala. A não ser para contar o peso e tamanho do neném. O pai já vai direto e fica de guardião do filho.
Na hora do parto, todos os pais ficam mais nervosos que a mãe. Ela só tem um caminho: o parto. Já o pai, pode ficar ali ou pode correr. Acho que o nervosismo é saber se fica ou se sai. Tem pai que atrapalha muito também. Por isso, Antonio Carlos diz que é importante que o pai esteja integrado no atendimento antes do parto para criar a relação de confiança.