A estiagem e baixa umidade do ar já aumentaram em mais de 100% o número de ocorrências de incêndios na região de Campo Mourão. De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros do município, capitão Leandro Calegari, por dia, os bombeiros tem atendido em média de quatro a cinco chamadas relacionadas a incêndios nas últimas semanas. Tem aumentado muito. Até o mês de outubro o período é muito crítico em relação às queimadas, principalmente dentro do perímetro urbano, ressaltou o capitão. Segundo ele, é comum também queimadas às margens de rodovias e matas.
Segundo o Instituto Tecnológico Simepar, a média do índice de umidade relativa do ar na região de Campo Mourão tem sido de 34%, com mínima de 30%. De acordo com o meteorologista, Fernando Mendonça Mendes, a última chuva registrada na região ocorreu no dia 15 de julho. Choveu 18 milímetros. Ou seja, hoje completam 21 dias sem chuva. O meteorologista acrescentou que pelo menos até o fim dessa semana não há previsão de chuva. O tempo seco não está favorecendo aumento de umidade que favoreça a formação de chuva, explicou.
Outro agravante, segundo Mendes, é que no mês julho, o registro de chuva ficou abaixo da média histórica. Segundo o Simepar, a média para o mês é de 84 milímetros. Porém nesse ano, durante o mês passado choveu apenas 65,8. Já para o mês de agosto a média é de 72 mm. No entanto, desde o início do mês ainda não houve registro algum de chuvas.
De acordo com Calegari, outro ponto bastante preocupante, é que 90% das queimadas são criminosas. Ou seja, praticadas propositalmente por pessoas que ateiam fogo a terrenos baldios. Ele diz que os incêndios acarretam em danos ambientais, à saúde pública, principalmente em crianças e idosos, e coloca em risco a segurança. Prejudica também a fauna, já que o fogo pode se alastrar para reservas ao redor da cidade.
A orientação do Corpo de Bombeiros é que as pessoas evitem atear fogo em terrenos baldios e que sempre os mantenham roçados, sem acúmulos de matos secos. Muitos proprietários deixam a vegetação crescer bastante no verão e fazem a roçada. Aí fica aquela palha, e passa um desocupado ali e coloca fogo, comentou o comandante dos bombeiros.
Conforme Calegari, os horários mais críticos de incêndios são das 15h às 18h e no início da noite. Outra dificuldade, segundo o capitão, é que a corporação não consegue muitas vezes dar conta de todas as solicitações, principalmente de incêndios de campos. Temos bastante dificuldade. É um serviço exaustivo. Estamos trabalhando sempre com efetivo limitado, falou.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o registro de focos de incêndio no Brasil aumentou 61% de janeiro até este mês, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 20,2 mil ocorrências. Desde janeiro até agora, foram identificadas 32,6 mil ocorrências no país.
A população do estado de Mato Grosso é a que tem sentido os maiores efeitos das queimadas, com o registro de mais de 6 mil ocorrências. No Maranhão, o número de focos de incêndio chega a 5,6 mil. Os casos no Piauí, na Bahia e no Tocantis mantêm-se em torno de 3 mil ocorrências mapeadas pelos 11 satélites do instituto.
Crime ambiental
Apesar de ser uma prática relativamente comum, atear fogo em terrenos baldios ou em qualquer outro local é configurado crime ambiental e as pessoas que forem flagradas podem responder processo criminal. Os infratores podem receber multas de até R$ 1 mil por fração de hectares pelo uso de fogo sem autorização ou não observar as precauções recomendadas para a queima controlada ou ainda pegarem até três anos de detenção.
Se alguém presenciar um incêndio, pode fazer denúncias à Força Verde pelo telefone 0800-6430304, ou ainda ao Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Afogamentos
Outra preocupação dos bombeiros é com afogamentos. Segundo Calegari, durante o ano passado foram registrados cinco óbitos envolvendo vítima de afogamentos. Boa parte das vítimas são crianças que procuram rios ou lagos para se refrescar. Temos dentro da cidade, a antiga lagoa Prainha Andorinha. No ano passado, houve a morte de uma criança no local. Passado alguns dias retornamos lá e novamente havias crianças se banhando, comentou.
Os bombeiros orientam para que os pais não deixem as crianças frequentar os locais devido aos riscos que oferecem. Em toda a região observamos os riscos. As cachoeiras e rios também são perigosos. Os cuidados valem também aos adultos, completou Calegari.