Todos os dias, muitas pessoas passam pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Campo Mourão (Ciscomcam). Entre elas, estão moradores de Campo Mourão e de toda a região, totalizando 25 municípios. As consultas possuem horários agendados, mas os pacientes que vêm de fora são os que acabam sofrendo mais. Além dos problemas relacionados à saúde, precisam esperar quase o dia todo, já que vêm com os ônibus das prefeituras e têm de aguardar que todos da cidade sejam atendidos para voltar para casa.
Os aposentados, Tervina Pedro dos Santos e Antonio Claudino Nogueira, são de Moreira Sales e para algumas consultas especializadas e exames que não têm onde moram, precisam vir a Campo Mourão. Estamos aqui desde as 7h da manhã. É muita dificuldade. Temos de ficar quase o dia inteiro aqui. Só vamos embora lá pelas 3h, 4h da tarde, diz Tervina. Fora isso, quando precisam vir para o município, ficam sem almoço. Não tem como. No máximo comemos alguma bobagem, um salgadinho, coisas assim.
O ônibus do município vem lotado de pessoas, sentadas e em pé. Nogueira, que está com problemas na coluna, tem dificuldades até para andar e enfrentar essa situação, acaba sendo um problema. Por sorte, afirma ele, conseguiu que alguém desse lugar para que viesse sentado.
Segundo a enfermeira Eliane Maitell Pereira, em torno de 500 a 600 pessoas passam por dia pelo hospital, sendo que, a maioria, vem de fora. Temos dificuldade pelo espaço físico, que poderia ser maior. Mas também, porque vêm muitas pessoas idosas sem acompanhante e outras que têm certas dificuldades, como por exemplo, que não sabem ler. Então, às vezes, elas vêm encaminhadas, mas não sabem nem porque vieram. Se é para consulta, se é um exame, então a gente tem que tentar investigar e descobrir.
A enfermeira Tatiane Viana, explica que as especialidades mais procuradas são de cardiologia, neurologia, oftalmologia e psiquiatria. E ainda, diz que cardio, normalmente, as pessoas têm de voltar a cada três meses. Consultas psiquiátricas também. Quanto aos exames, os que tem mais procura são raio-x, ultrassom e eletrocardiograma.
O agricultor Adroaldo Matte é de Moreira Sales e veio a Campo Mourão, no Ciscomcam, para fazer consultas com o cardiologista. Há quatro anos já tenho esse problema. Mas comecei a me sentir pior no último mês e fui trazido para fazer as consultas e exames. Ele diz que é um pouco cansativo, além de ter que acordar muito cedo para pegar o ônibus e não saber o horário que vai embora, já que precisa esperar todos que vão no mesmo veículo.y
Antonio Nogueira diz que é muito complicado. Até pensei em fazer uma consulta particular, mas não tenho condições. Ele fala que o médico já pediu dois exames que ele não conseguirá fazer, pois não tem pelo SUS e pelos problemas que tem, não consegue achar uma fonte de renda. Graças a Deus consegui aposentar. Mas recebendo R$600 e pouco, se tiver de pagar exames e remédios caros, vou comer o que? Não temos muito que fazer, lamenta.