Depois da veiculação da reportagem Parque Industrial de Campo Mourão está na UTI, divulgada no último domingo (29) muitos empresários procuraram a reportagem da TRIBUNA para relatar problemas enfrentados não só com a estrutura do parque, mas também pela demora e dificuldade em se instalar no local.
De acordo com a assessoria da prefeitura, são gerados 1,2 mil empregos no Parque Industrial, sendo que 40 indústrias estão em funcionamento. A reportagem esteve no parque e verificou que 27 empresas estavam ativas. Na contagem, foram incluídas as que já haviam encerrado as atividades diárias. Além disso, em contato com as quatro maiores empresas do complexo, foi verificado que sozinhas elas geram 368 empregos. Entretanto os empresários garantem que as médias e pequenas empresas oferecem de 10 a 20 empregos. Sendo assim, se levarmos em consideração que as 23 empresas restantes tenham o número máximo de trabalhadores, elas geram 460 ocupações. Somando grandes, médias e pequenas empresas o número de empregos gerados chega a 828. Neste saldo não consta a última empresa instalada no parque. A indústria de farinha de trigo estima criar 100 empregos.
Uma dessas empresas pertence a Osvaldo Lacovic, que há mais de 12 anos realiza pedidos para que um terreno, que fica atrás da sede atual da empresa, possa ser usado. Esse terreno foi doado pelo prefeito e inclusive entregue o documento de permissão de uso. O proprietário construiria um barracão de 450 metros quadrados, mas quando foi iniciar as construções, foi impedido. Se eu construísse alguma coisa lá, a prefeitura poderia entrar com uma ação e eu perderia toda a área construída e eu deixei quieto, só cerquei, comenta. Quando questionado sobre a aquisição desse terreno, Lacovic diz que uma nova empresa já esta se preparando para ocupar a vaga, mas que ainda não foi notificado.
O local usado atualmente é alugado e não suporta as grandes estruturas que Lacovic produz. Por não ter um barracão maior, ele precisa deixar os materiais nas obras que realiza. De acordo com o proprietário, ele emprega 12 pessoas efetivas e 56 em períodos com maior demanda. Para Lacovic com a expansão do barracão o número de empregos gerados poderia ser bem maior e garante que irá continuar lutando para poder usar o espaço.
Juvenal Dias dos Santos também enfrenta dificuldades. Ele tem uma fábrica de churrasqueiras e mesmo com a empresa regularizada, não conseguiu adquirir um terreno no Parque Industrial. Por não ter espaço suficiente para sua produção, acaba faturando menos. Atualmente ele fabrica as peças no pátio de sua casa. Santos procurou a prefeitura, com toda a documentação, mas não obteve retorno. Devido à falta de resposta, Santos pretende instalar sua empresa no parque industrial de Peabiru, cidade a 15 quilômetros de Campo Mourão. O interesse não é pegar o terreno, mas é ter lugar para trabalhar, diz o pequeno empresário. Esses municípios abrem as portas porque precisam das pequenas empresas, ressalta.
Outro empresário, que pediu não ser identificado, também irá montar sua sede em Peabiru. Entre os motivos destacados está a falta de incentivo. Ele entregou toda a documentação necessária, que foi arquivada, pois de acordo com o empresário, o terreno que a prefeitura apresentou não correspondia à sua solicitação. Tem vários terrenos na avenida e oferecem o dos fundos, justifica. De acordo com ele, a empresa necessita ter acesso ao comprador.
Outra explicação para a escolha da cidade vizinha é em relação aos gastos que tem em Campo Mourão. Ao não conseguir um espaço no Parque Industrial, precisam pagar aluguel e conseqüentemente precisam aumentar o valor dos produtos oferecidos. Dessa maneira, perdem espaço para a concorrência de outras cidades que conseguem vender os produtos mais baratos, por não contar com esse gasto. Compensa montar em Peabiru onde o retorno é para manter a empresa, do que em Campo Mourão onde você tem que pagar aluguel e falta incentivo, comenta. Tudo isso também reflete no quadro de funcionários. Antes contavam com 25 empregados. Esse número caiu para vinte e a previsão é de que caia mais. Os incentivos fiscais não favorecem em Campo Mourão. Em Peabiru, compensa fabricar e trazer para Campo Mourão, diz.
O administrador argumenta também que a lista de documentos exigidos pela prefeitura torna o pedido extremamente burocrático. Entre os itens que causam descontentamento está o projeto de viabilidade. Foi tudo especificado e dão um terreno lá no fundo. Precisamos de um terreno de cinco mil metros quadrados e ofereceram um de três mil perto do lixão. Vamos vender para quem lá?, protesta.
Questionado pela reportagem, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Alcione Jacob de Souza, indicou empresários que estariam satisfeitos com a atual situação do Parque. Mas não é bem essa a realidade encontrada. Fernando José Marodin, proprietário de uma confecção e um dos indicados, administra uma das maiores empresas do parque. A confecção gera 198 empregos, está instalada em Campo Mourão, desde 1990, e ocupa dois terrenos doados pela prefeitura com 10 mil metros quadrados cada.
Ao se instalarem ganharam 20 anos de isenção de impostos e taxas. Para Marodin, a burocracia exigida é normal, e que se for respeitado o que é cobrado, há um retorno a longo prazo. Mas ao ser indagado da situação do parque ele é enfático: Me sinto envergonhado em ser empresário. Se convido um fornecedor para vir aqui, dá vergonha. O administrador ressalta que falta muita coisa no parque como melhorias no trevo, iluminação, segurança, melhor sinalização e que de bom mesmo só o asfalto e a implantação do Sesi / Senai. Além disso, a demora na resolução de problemas também é desanimadora. Quando tem um problema aqui, demora para ter uma solução, destaca.
Souza relata que as empresas recebem os terrenos após cumprir todos os requisitos e passar pela aprovação do Conselho de Desenvolvimento Econômico, formado por 15 pessoas.
Quanto a burocracia e isenção de taxas, o secretário afirma que elas obedecem ao que está na lei municipal nº 899 de 1995, que aborda o Programa Municipal de Apoio ao Desenvolvimento Econômico (Pró-Campo). Jacob lista que entre os benefícios oferecidos pelo programa além da isenção de impostos municipais, estão terraplanagem e infraestrutura, e em contrapartida a empresa precisa gerar inicialmente no mínimo cinco empregos e preencher os requisitos necessários.
Sobre os casos de empresários que procuraram a reportagem, o secretário disse que eles não preencheram todos os requisitos necessários. Algumas pessoas não gostam do parque industrial, declarou. Em relação ao terreno usado por Lacovic, o secretário afirma que o empresário não tem permissão para usar o espaço, porque não atendeu aos requisitos. Ele teve uma promessa de terreno se atendesse aos requisitos, fala.
Jacob explica que foram tomadas as providências necessárias mas os documentos não foram entregues, impedindo que Lacovic usufrua do terreno.