Ontem servidores do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) entraram em greve por tempo indeterminado. Hoje os Policiais Federais engrossam a lista de insatisfeitos com a postura do governo. Lista que já incluía os caminhoneiros – que suspenderam a paralisação por 30 dias –, os servidores da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os professores e técnico-administrativos de Universidades Federais. Setores estratégicos do país podem ser prejudicados com a medida, como a importação e exportação de grãos e a fiscalização de aeroportos e fronteiras.
De acordo com o presidente do sindicato dos servidores da Polícia Federal no Paraná, Fernando Augusto Vicentine, a expectativa é que a greve faça com que as filas na fronteira de Foz do Iguaçu com o Paraguai cheguem a Cascavel, aproximadamente 150 quilômetros. Na fronteira de Guaíra, a previsão é que o congestionamento chegue a Umuarama. A partir de hoje a população deve se sentir mais segura. Vamos fiscalizar as fronteiras e aeroportos como deveria ser todos os dias, mas que não temos condições pelo efetivo sucateado. Chamada de Operação Padrão, a medida funciona como um pente fino. Essa é a forma certa de evitar a entrada de drogas e armas no país. O problema, segundo ele, é que para realizar essa operação, outros serviços são interrompidos, como a emissão de passaportes e investigações em curso no órgão. No Paraná, são 700 Policiais Federais e o recomendado pelo sindicato é 2 mil.
Os policiais reivindicam reestruturação salarial e da carreira dos agentes, escrivães e papiloscopistas. O salário inicial dos três cargos é R$ 7 mil. Somos funcionários de nível superior e temos salário de nível médio, reclama Vicentine. Ele acrescentou que os policiais estão há três anos negociando e até o momento nenhuma proposta concreta foi apresentada. O último reajuste terminou de ser pago em 2009, referente a um acordo de 2003. Em 2004 foi a nossa última greve e durou 60 dias. Ao final, conseguimos aquilo que já era uma promessa de anos anteriores. Mas desde 2005, não tivemos aumentos reais.
Em relação aos problemas enfrentados no cotidiano, o presidente do Sindicato explica que o Governo Federal tem conhecimento. Eles admitem os problemas, mas não fazem absolutamente nada para mudar a situação. Ele citou que os aeroportos possuem um sistema de segurança muito sujeito a falhas, mas que é o possível com o número de policiais que a corporação possui. Os policiais pedem ainda a deposição do atual diretor-geral, Leandro Daiello Coimbra. Vicentine explicou que em fevereiro de 2011, foi entregue a Coimbra um documento pedindo a reestruturação da carreira, mas esse documento não foi levado adiante.
Paralisação no Mapa pode afetar mercado externo
Desde a semana passada, os fiscais agropecuários federais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) haviam aprovado que a categoria cruzaria os braços a partir de segunda-feira (06). A paralisação aliada à mobilização dos servidores da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve comprometer o escoamento da safra de grãos pelos portos brasileiros. A entidade que representa as cooperativas do Paraná, Ocepar, afirmou por meio de sua assessoria que ainda é cedo para avaliar como a greve afetará o comércio internacional. Os servidores do Mapa pedem o reajuste salarial, novas contratações e melhores condições de trabalho.
A mobilização atinge uma série de atividades, são os fiscais agropecuários que respondem pela liberação das exportações e importações e fazem o controle do fluxo de produtos do agronegócio no interior. Em todo o Brasil, são mais de 3,2 mil servidores. Segundo o delegado sindical dos servidores no Estado, Ailton Santos, as negociações que já estavam em andamento foram interrompidas na última quarta-feira (1º). Após um dia de paralisação, Santos explicou que não houve conversa por parte do Ministério para a retomada das negociações.
O principal pedido é pela reestruturação do plano de carreira de fiscal agropecuário. Com o novo plano, ficariam impedidas as indicações políticas para os cargos de chefia. Os fiscais exigem ainda um concurso público para suprir a carência de mais de 1,5 mil profissionais.
O agronegócio – principal afetado pela greve – é um dos setores mais competitivos economicamente. No primeiro semestre, ele apresentou um superávit de US$ 36,7 bilhões. Nos últimos 12 meses, segundo um levantamento do próprio Ministério da Agricultura, o volume de divisas que o setor trouxe superou os US$ 79 bilhões.
Sema manterá paralisação até reunião de quarta-feira
Os problemas relativos a greves não afetam somente a União. Ontem (06), os servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) também pararam as atividades. Em Campo Mourão, os cerca de 40 servidores do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) aderiram ao movimento. Até quarta-feira (08), dia em que o governo prometeu apresentar uma proposta, apenas serviços essenciais como as autuações por crime ambiental e a irrigação do viveiro serão mantidos.
Assim como Campo Mourão, todos os escritórios regionais do IAP, Instituto de Terras, Cartografia e Geociência (ITCG) e AGUASPARANÁ aderiram à paralisação. Os servidores reclamam que apenas o Meio Ambiente está sem reajustes, quando todas as outras categorias estaduais receberam algum tipo de acréscimo salarial. Entre os Agentes Penitenciários o aumento foi de 31%. Os professores tiveram 19% de reajuste e nas universidades 31%. Na Saúde, o salário aumentou 14% e na Secretaria de Agricultura, os servidores não vinculados a Agência de Defesa do Paraná receberão gratificações por categoria, reajustadas anualmente e submetidas a desconto de alíquota previdenciária. Essa foi uma conquista da recente greve de sete dias, explica a representante sindical Elci Terezinha Veiga Costa. Ela reclama que o enquadramento funcional também está paralisado desde o início do atual governo. A categoria afirma que a defasagem salarial está em quase 80%.
Entre as atividades paralisadas estão a elaboração e execução de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, o Licenciamento, a Fiscalização e o Monitoramento Ambiental, a produção e distribuição de mudas florestais nativas, o atendimento ao público, ao Ministério Público e às entidades como prefeitura, COPEL, SANEPAR.