Quanto vale seu voto?

Daqui a dois meses, mais especificamente em outubro, os brasileiros escolherão por seus votos os prefeitos e vereadores que conduzirão o comando político-administrativo dos municípios pelos próximos quatro  anos. Infelizmente, no período ocorre também a farra dos votos. Eleitores trocam a dignidade por favores políticos. Entre os casos mais comuns de compras de votos estão a distribuição de cestas básicas ou o eleitor ser contemplado com um tanque de combustível, ou mesmo uma mísera quantia em dinheiro. Pode ser R$ 10, 20, ou até R$ 50, dependendo do poder aquisitivo do candidato. Mas afinal, quanto vale o seu voto? A reportagem da TRIBUNA saiu às ruas e ouviu o que os eleitores têm a dizer sobre o assunto.

O aposentado, Paulo Roberto Passos Lopes, 66, foi enfático na resposta. Meu voto vale saúde, segurança pública e bem estar para toda a comunidade, disse. O aposentado só espera que seu candidato cumpra com as obrigações e promessas de plano de governo. O povo só espera, espera e não consegue nada do que eles prometem, criticou.

Seo Paulo é uma daquelas pessoas informadas sobre política. Prova, é que ele disse que a corrupção política no país vem sendo combatida pelos Tribunais. A exemplo, ele citou o julgamento do famoso caso que ficou conhecido como Mensalão. O episódio voltou ao centro das atenções no início dessa semana, com o início do julgamento dos réus no processo. Espero que a coisa por aqui siga o mesmo caminho, completou.

A política pode tranquilamente ser comparada ao conto do Papai Noel. Que as crianças não leiam isso. Seria trágico. Papai Noel só vai aos lares no dia do Natal. Assim fazem muitos políticos. Ressurgem do nada apenas nos anos eleitorais. Geralmente aparecem com antecedência e frequência até o dia do pleito. Alguns são bonzinhos, distribuem comida, dinheiro, presentes, entre outras benesses para a comunidade. Metáfora à parte, o certo é que a compra de votos é uma triste realidade.

O motorista de caminhão, Ricardo Devides, 31, acredita que o eleitor que se vende, alimenta o político corrupto. Hoje eu vejo que a corrupção maior está no próprio eleitor, falou. Em troca de seu voto, Devides pede principalmente mais segurança. Meu voto não tem valor comercial. Ele vale a mudança. A mudança dos rumos da nossa cidade, melhorias para a população, mais saúde, mais igualdade social. Meu voto vale mais que qualquer dinheiro, ponderou.

A compra de votos pode também ser comparada ao tráfico de drogas. A ideia parece ser absurda, mas tem coesão. Os entorpecentes só existem porque há quem compre as substâncias. No caso específico da captação ilícita de sufrágio, nome técnico para a compra de votos, a prática só se mantém porque existem eleitores que se ‘vendem’.  Não que o voto valha muito dinheiro, não tem valor comercial algum, mas tem gente que vende o voto por mixaria, reclamou Devides.

A compra de voto pode hoje, ser considerada o principal fator para o atual retrato da política. Desvios milionários de dinheiro público, fraudes, cargos irregulares em prefeituras com objetivo único e exclusivo de beneficiar parentes ou amigos de prefeitos, entre outros vários casos de farra com o dinheiro público.  São acontecimentos como estes, que fez a jovem, Luana Aparecida de França, 18, analisar com calma as propostas e a ficha de cada candidato em Campo Mourão. Esta será a primeira eleição que a jovem votará. Ela ainda não decidiu para quem será seu voto de confiança. Ainda nem sei para quem votar. Todos fazem promessas que não cumprem. Vou analisar muito bem meu voto, argumentou.

A jovem frisou que em troca de seu voto, que uma vida sem miséria e desigualdade social. Ou seja, ela espera melhorias no âmbito geral da cidade. Hoje os políticos falam muito, mas se esquecem dos jovens, que vejo como o futuro da nação. O que há de programas e benefícios aos jovens na cidade?, questionou. A jovem pede mais seriedade na política. Precisamos de políticos comprometidos com a população. Acho que a sociedade de um modo geral já está cheia dos falastrões, completou.

A população de um modo geral quer políticos com compromissos sérios. Que cumpram com suas obrigações e deveres. É o que diz o vendedor ambulante, Moacir Miranda dos Santos, 56. Eu dou meu voto em troca de uma vida melhor para toda a comunidade. Quero segurança para meus filhos e saúde para toda a família. O que não precisamos mais são promessas e políticos que nada fazem pelo povo, argumentou.

A mesma opinião tem o sorveteiro José Pereira de Lima, 51. Ele mora em Piquirivaí, mas trabalha em Campo Mourão. Na eleição passada, segundo o sorveteiro, teve político eleito que prometeu uma ambulância para o distrito. Mas até hoje a promessa não foi cumprida. Só quero ver qual vai ser a promessa nessa eleição. Ninguém é mais inocente, concluiu.

As eleições deste ano serão no dia 7 de outubro. Em Campo Mourão, 64.967 eleitores irão às urnas. É importante lembrar que o voto vale mais uma mísera quantia em dinheiro, ou qualquer outro ‘favor’. Na verdade, o voto representa o preço da cidadania e a própria dignidade do eleitor. Portanto, não se iluda. Não venda seu voto.