Há mais de 30 dias, segundo o Instituto Simepar, não há registro de chuvas na região de Campo Mourão. O último volume significativo foi em 15 de julho, quando choveu 19 milímetros. Os meteorologistas, no entanto, afirmam que historicamente agosto é um mês seco. Na agricultura, os principais prejudicados são os produtores de hortaliças e pecuaristas. Para a população nas cidades, o prejuízo vem com as doenças respiratórias causadas pela baixa umidade do ar.
De acordo com Samuel Braun, meteorologista do Simepar, pelos próximos sete dias não há previsão de mudança. Esse é o prazo em que conseguimos prever com exatidão. Segundo ele, o ar mais seco tem predominado há vários dias, o que formou um bloqueio atmosférico. A massa de ar quente e seco impede que as massas de chuva avancem sobre o Paraná. Em toda a região norte e noroeste, a estiagem já registra mais de 30 dias.
Agosto é um dos meses mais secos normalmente, com registros entre 70 e 80 milímetros de chuva. A gente já espera que seja seco, mas ficar 30 dias é mais raro, conta. Ele explicou que desde 1999, esse fenômeno já foi registrado três vezes: em 1999, 2004 e 2009. Ontem (20) a umidade relativa do ar estava em 45%, abaixo do ideal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Pela OMS, entre 60% e 30% é considerada aceitável. Abaixo de 30% e acima de 20% já representa ‘estado de atenção’. Abaixo de 20% representa ‘estado de alerta’. Quando o nível de umidade relativa do ar fica abaixo de 12%, entra em ‘estado de emergência’. Para esta semana, a umidade do ar em Campo Mourão varia entre 32 e 45%.
Com a falta de chuva a pele, olhos, nariz e a garganta são os primeiros a secar. Com isso, as mucosas costumam ressecar e inflamar nestes períodos. Como elas desempenham um papel de barreira física à entrada de substâncias que podem fazer mal ao corpo, o clima seco propicia a entrada de agentes estranhos. E a consequência é o aumento na procura por atendimento médico.
A 11ª Regional de Saúde não mantém controle do número de consultas causadas por problemas respiratórios, somente das internações. Entre os meses de maio, junho e julho de 2011 foram 28 pessoas em toda a região. Este ano, só até o final de junho, o número já era 32% maior. Julho e agosto ainda não foram repassados para o controle da regional. Atendimentos ambulatoriais também não estão contabilizados.
O assistente administrativo, Diego Cruz, explicou que não é necessário acompanhar a previsão do tempo para sentir que o clima está diferente. A gente vê que não chove e logo começa a sentir que o calor está bem intenso e o olho geralmente fica seco. Em seguida respirar começa a ficar mais cansativo, comenta. Como já praticava exercícios físicos pela manhã, não houve grandes mudanças na rotina, mas para enfrentar o clima, o consumo de água aumenta. O corpo pede isso e é preciso cuidar também na alimentação.
Agricultura
No campo, os maiores prejudicados são os produtores de hortifrúti, como a família Venequi. A mandioca, batata doce e o milho que são os principais itens comercializados pela família tiveram perdas de qualidade e o rendimento da família está refletindo o que acontece com os produtos. Tudo murchou. A gente vem sofrendo bastante, explicou Venequi.
Entre a lavoura comercial não houve grandes quedas de produtividade. Na área atendida pelos engenheiros agrônomos da Coamo, é possível considerar que 10% do trigo que foi plantado mais tarde pode sentir um pouco o clima, mas isso não representa prejuízo.
Confira a previsão para os próximos dias
Segundo o Simepar, as temperaturas não mudam muito nos próximos quatro dias. Hoje (21) máxima registrada será 28ºC e a mínima 14ºC. Amanhã a temperatura irá variar de 29ºC a 14ºC. Na quinta-feira, a máxima volta a ser 28ºC e a mínima 14ºC. A sexta-feira será quente com temperaturas entre 28ºC e 14ºC.