A taxa de mortalidade infantil na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam) aumentou em 2011. Comparado a 2010, o índice subiu 7%. Em 2010, de acordo com dados da 11ª Regional de Saúde do município, a taxa saltou de 12,56 bebês mortos a cada mil nascidos, para 13,39 em 2011. Este ano, até junho, já foram registrados 25 óbitos entre crianças de até um ano de idade. Ou seja, um coeficiente de 11,17 mortes a cada mil nascimentos até o momento. A média geral no Paraná em 2010 foi de 12 óbitos para cada mil e, em 2011, 11,56.
Na região, em 2011, Altamira do Paraná foi o município que registrou a maior taxa de mortalidade; 50,85 óbitos para cada mil bebês nascidos. Das 59 crianças nascidas na cidade, três morreram antes de completar um ano de idade. Em segundo lugar, aparece Peabiru. De 190 crianças nascidas, quatro morreram, coeficiente de 21,05 mortes a cada mil nascimentos. Já em Campo Mourão, dos 1.219 nascimentos, foram registrados 22 mortes de crianças. Um coeficiente de 18,05.
Na verdade, em Campo Mourão, a taxa tem aumentado ano pós ano. Para se ter ideia, saltou de 9,43 bebês mortos a cada mil nascidos em 2007, para 17,49 em 2010. Um aumento de aproximadamente 88%. Nos últimos cinco anos, 2007 foi o que menos teve mortes de crianças de até um ano de idade, 10. Em 2008, 12; 2009, 13; 2010, 21; e 2011, 22. Este ano, até junho, já foram registrados sete óbitos entre crianças nesta faixa etária. No município, a taxa de mortalidade Neonatal – crianças que morreram cerca de 28 dias depois de nascidas-, também está alta. De 8,48 em 2007, saltou para 15,82 em 2011. Neste caso, essas mortes são na maioria de bebês pré-maturos, geralmente pesando abaixo de 800 gramas.
De acordo com a chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, Elizabeth Mitiko Konno de Lozada, tendo em vista que a taxa de mortalidade preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 10 mortes para cada mil nascidos, o número é preocupante. A verdade é que nem mesmo com os programas de acompanhamento de pré-natal, como o Cegonha Feliz, por exemplo – que presta auxílio até o parto-, a região está conseguindo reduzir a taxa.
Segundo Elizabeth, vários fatores podem influenciar a mortalidade infantil. Desde questões ambientais a condições sociais e sócio-econômicas até mesmo o grau de instrução da gestante. As condições de atendimento aos pacientes também interferem nas causas de mortes infantis. Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 70% das mortes de recém-nascidos ocorrem por causas evitáveis, entre elas, falta de atenção adequada à mulher durante a gestação, no parto e também ao feto e ao bebê. Na região, segundo informações, a maioria das crianças mortas são filhos de mães jovens, que fazem ou já fizeram o uso de alguma droga, o que acaba comprometendo a saúde do bebê no período da gestação.
A gravidez na adolescência é outra preocupação, isso por ser considerada gestação de risco assim como pessoas de idade mais avançada (acima de 40 anos). Porém, segundo dados da Regional de Saúde, apenas de 20 a 25% dos partos da região são de adolescentes grávidas. Ou seja, os óbitos estão ocorrendo em faixas etárias mais altas e, geralmente estão ligados ao grau de instrução da mãe ou a alguma patologia anterior.
De acordo com Elizabeth, na região de Campo Mourão, 90% dos partos foram devidamente acompanhados. Ou seja, as mães realizaram acompanhamento pré-natal, realizando até sete consultas ou mais até o nascimento da criança. Ela acrescentou que a maioria dos óbitos é de bebês prematuros, na fase neonatal precoce, com até 16 dias de vida.
Comitê de investigação
Conforme Elizabeth, cada município possui um comitê de investigação de mortes infantis, que conta com médicos, enfermeiros, pessoal da secretaria de Saúde, funcionários da epidemiologia entre outros. Além disso, existem também, um comitê regional e outro estadual, que analisam os óbitos.
A preocupação da Regional [de Saúde] é melhorar a qualidade da assistência como um todo porque isso vai reduzir não só a mortalidade infantil, mas a mortalidade materna. E essa melhoria na qualidade é dada desde atenção primária, garantindo os exames à paciente para que ela tenha também um parto hospitalar, completa.
Nascimentos
Se houve aumento da taxa de mortalidade na Comcam nos últimos dois anos, por outro lado houve a redução de nascimentos. Em 2010, nasceram na região 2.352 crianças, já em 2011, foram 2.301. Até agora, neste ano, nasceram 2.238.