Tecnologia para milho é solução para a soja

O consórcio é uma tecnologia antiga na agricultura. Nela duas espécies são cultivadas juntas. Recentemente, a união do milho safrinha com a braquiária, espécie de grama que serve como pastagem vem sendo testada em Campo Mourão. De acordo com o responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, Joaquim Mariano Costa, é uma solução que traz tripla vantagem. Melhora o milho que está plantado, melhora a próxima safra de soja e ainda tem a opção de associar com produção de carne.

A ideia não é complicada, mas desafia conceitos pré-concebidos. Durante muito tempo, qualquer cultura que nascesse dentro de outra era considerada erva daninha. Mesmo que fosse a soja dentro do milho ou o contrário. A novidade do consórcio é que a braquiária que seria uma erva daninha agressiva, quando adequadamente plantada junto com o milho é um agente inibidor de problemas. Você colhe o milho e deixa ela. Nesse período de descanso da terra, ela continua agindo. Quando for colher a soja, a terra estará melhor e a qualidade final será maior.

Costa explicou que a cultura de verão plantada no inverno vem ganhando espaço. A gente não sabe se a safrinha é safrinha mesmo ou safrão. A área de plantio é muitas vezes maior do que a safra de verão. Então temos que melhorar a tecnologia, relata.

Pensando nessa questão, as doenças do milho foram destaque nesta edição do encontro. É muito importante o produtor fazer um manejo adequado porque a exigência de qualidade no mercado é crescente a cada dia. Cuidar da produção não representa apenas aumento de produtividade, é melhora também na qualidade, acrescenta o engenheiro agrônomo.

Desde que foi iniciado o plantio de grãos na região, houve diversas etapas. A primeira foi com o plantio convencional. Depois houve o terraceamento, seguido pelo plantio direto na palha e a rotação de cultura. Mais recentemente, a integração lavoura-pecuária foi imensamente comentada e aplicada por muitos agricultores. A braquiária no milho eu diria que é o top da tecnologia que tem hoje, inclusive falando em sustentabilidade, revela Costa.

Herbicida de pastagem garante erradicação de raiz

O estudo sobre o uso de herbicidas em pastagens começou há oito anos na Fazenda, mas segundo Costa, nos últimos meses foi prioridade. As pessoas pensam que controle de plantas daninhas é só para as culturas e não é bem assim. As plantas daninhas fazem muitos estragos na pastagem também. Segundo ele, esse é um dos problemas para o baixo rendimento do mercado de carnes no Brasil.

Costa acrescentou que ainda hoje, o usual é controlar as ervas invasoras com roçadas, feitas manual ou mecanicamente. O problema é que essa forma de erradicação é apenas superficial. Não acaba com as raízes. É uma tecnologia que muitas vezes é pior do que não fazer nada porque a erva daninha fica com um sistema raticular muito grande, diz. Ele explicou que em algumas espécies isso estimula que nasçam várias plantas. Quando você corta uma mais velha cria um sistema que vai brotar em vários lugares.

Na estação, os agricultores aprenderam como aplicar, a dosagem adequada para cada erva daninha, a hora certa de aplicar e a influência do clima. Estamos ensinando como fazer isso de forma que o produto expresse seu potencial de herbicida sem agredir o meio ambiente.